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EDUCAÇÃO

Escolas reforçam ações práticas e envolvimento das famílias no combate ao bullying

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Após dados da PeNSE 2026 apontarem aumento da recorrência do bullying entre adolescentes, instituições como Colégio Objetivo DF e Heavenly International School investem em formação socioemocional, prevenção estruturada e participação ativa das famílias

 

Diante do avanço dos casos de bullying nas escolas brasileiras, instituições de ensino têm intensificado estratégias práticas de prevenção, apostando na formação socioemocional e no envolvimento das famílias como pilares para enfrentar o problema. Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) 2026, divulgada pelo IBGE na última quarta-feira (25), reforçam a urgência dessas iniciativas: 39,8% dos estudantes entre 13 e 17 anos afirmaram já ter sofrido bullying, e 27,2% relatam episódios repetidos, indicando que a violência tem se tornado mais frequente e persistente.

Além da alta incidência, a pesquisa mostra que o problema se aprofunda. As meninas são as mais afetadas, com 43,3% relatando já ter sofrido bullying, e 30,1% afirmando ter sido humilhadas de forma recorrente. Os ataques estão majoritariamente ligados à aparência, como rosto, cabelo e corpo, e também à cor ou raça. Em muitos casos, no entanto, as vítimas sequer conseguem identificar o motivo das agressões, o que evidencia o caráter difuso e coletivo do fenômeno.

Para a diretora de Formação Integral da Heavenly International School, Ms. Áurea Bartoli, especialista em relações interpessoais na escola e convivência ética, o dado mais preocupante não é apenas o número de casos, mas a repetição. Segundo ela, o aumento da recorrência indica falhas no enfrentamento dentro das próprias instituições. “Os estudantes não apenas relatam ter sofrido bullying, mas afirmam que isso acontece de forma persistente e repetida, indicando falhas na prevenção. O bullying é um fenômeno social tipicamente escolar e precisa ser encarado de frente”, afirma. Ela também destaca que o comportamento é cíclico e, muitas vezes, quem agride já esteve na posição de vítima.

Na prática, o bullying está diretamente ligado a comportamentos agressivos, repetitivos e intencionais, com o objetivo claro de intimidar, humilhar, demonstrar poder e excluir. Esse tipo de violência impacta não apenas a vítima, mas também o agressor, gerando efeitos profundos no ambiente escolar. No Colégio Objetivo de Águas Claras, a Orientadora Educacional Raquel Leite explica que os casos geralmente envolvem uma combinação de fatores sociais, familiares e psicológicos, sendo comum o uso de críticas relacionadas à aparência, à raça, à religião ou ao modo de ser do outro como forma de agressão. Segundo ela, muitos jovens ainda estão em formação e testam limites, mas a ausência de orientação e fragilidades emocionais são fatores determinantes tanto para quem pratica quanto para quem sofre bullying.

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Como forma de enfrentamento, o Colégio Objetivo DF utiliza dinâmicas como a “Mala dos Sentimentos”, uma ferramenta pedagógica, terapêutica e lúdica que ajuda os alunos a identificar, nomear e expressar emoções como alegria, tristeza, raiva e medo. Na atividade, os estudantes recebem diferentes sentimentos, positivos e negativos, e refletem sobre quais desejam levar para suas vidas e quais precisam ser descartados. Mais do que um exercício simbólico, a proposta cria um ambiente seguro de escuta e expressão. “Muitos alunos, após essas atividades, se sentem mais encorajados a falar sobre suas dores e experiências. É um espaço que permite externalizar sentimentos que muitas vezes estavam escondidos”, explica Raquel.

Ela destaca ainda que o conhecimento é um fator essencial na prevenção. Uma geração que compreende o que é bullying, suas causas e consequências, consegue diferenciar uma brincadeira de uma agressão. “Tudo aquilo que causa dor física ou emocional não é brincadeira. O entendimento previne a prática”, afirma.

Já na Heavenly International School, a estratégia é estruturada desde os primeiros anos escolares. Um dos principais pilares é a campanha das “4 Golden Rules”, que orienta o comportamento dos alunos de forma contínua. Mais do que regras, elas funcionam como referência prática para a convivência. “Elas são uma espécie de bússola moral. Não são apenas slogans, mas instrumentos vivos que orientam as relações do dia a dia”, explica Ms. Áurea Bartoli.

Trabalhadas com crianças de 2 a 10 anos, as regras, como ser respeitoso, gentil, responsável e promover segurança, são incorporadas por meio de atividades concretas e recursos pedagógicos. Entre eles, está a história “O menino que enxergava o coração”, utilizada para ensinar empatia e acolhimento. “Nessa fase, o concreto e as metáforas ajudam a compreender a subjetividade do comportamento humano. Trabalhamos para que os alunos valorizem as diferenças, pratiquem a bondade e assumam responsabilidade por suas ações”, afirma.

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Outro ponto central é o envolvimento das famílias. Para a diretora, o enfrentamento do bullying depende de uma compreensão mais ampla do fenômeno. “Nem tudo é bullying. É preciso diferenciar conflitos, indisciplina e situações de violência. Quando família e escola entendem isso juntas, conseguem agir melhor”, explica.

Já a prevenção, segundo os especialistas, passa também pelo desenvolvimento do autoconhecimento. Ms. Áurea ressalta que muitos estudantes não conseguem identificar por que são alvo de agressões, o que exige um trabalho ainda mais cuidadoso. “É preciso promover discussões que façam sentido para cada idade, fortalecer a autoestima e ajudar os alunos a reconhecer e respeitar as diferenças. Acreditamos que cada pessoa é única e tem talentos a desenvolver”, afirma. Na escola, esse acompanhamento acontece tanto em atividades coletivas, como aulas de habilidades socioemocionais, quanto de forma individual, por meio de tutorias.

Na mesma linha, Raquel Leite reforça que a escola precisa atuar de forma ativa e imediata. “É fundamental ter intervenções constantes em sala, trazer informação, mostrar consequências e até o que a lei diz sobre bullying. E, diante de qualquer denúncia, a escola precisa agir rapidamente, envolvendo famílias, aplicando medidas educativas e acompanhando continuamente os alunos”, afirma.

Os dados da PeNSE deixam claro que o bullying é um problema persistente e ainda subestimado em muitas realidades. Ao mesmo tempo, experiências como essas mostram que o enfrentamento passa por um caminho consistente: educar para as relações, fortalecer o emocional e construir, diariamente, uma cultura de respeito dentro e fora da escola.

 

 

 

CRÉDITOS:

Divulgação Heavenly International School

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