GDF / BRASÍLIA
Trabalho nos viveiros da Novacap transforma vida de reeducandas
Publicado em
7 de abril de 2025por
Eugenio Piedade
“Antigamente eu nem me importava muito com plantas. Hoje em dia eu já começo o dia doida para ir ao viveiro. Mexer com a terra se transforma em uma paz para a gente”, declara a reeducanda L.D.. Ela é uma entre as várias histórias de transformação que fazem parte dos viveiros da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil (Novacap) situados no Distrito Federal, de onde saem diversas mudas que compõem a paisagem verde que faz da capital brasiliense uma cidade-parque.
Os viveiros da Novacap são responsáveis pela produção de mudas de flores, herbáceas, arbustos e palmeiras que saem para os canteiros públicos do DF | Fotos: Matheus H. Souza/Agência Brasília
São 28 hectares no Viveiro I, localizado no Park Way e responsável pela produção de mudas de flores, herbáceas, arbustos e palmeiras que saem para os canteiros públicos do DF. Por meio do Convênio com a Fundação de Amparo ao Trabalhador Preso (Funap), firmado desde 2017, os trabalhos são realizados por cerca de 120 reeducandas. As tarefas vão desde as mais pesadas, como limpeza de carregamento de terra e enchimento de embalagens grandes, até serviços mais delicados, caso da replicagem de mudas de flores de uma bandeja para outra.
Diariamente renovando vasos, fazendo arranjos e regando as plantas abrigadas pelo viveiro, L.D. complementa a fala: “São dias maravilhosos. Aqui é uma paz, me sinto muito bem. É gratificante a sensação de ver o crescimento dessas plantas. Não é um trabalho simples, tem toda uma técnica e um cuidado detalhado, são coisas que aprendi e, mesmo não tendo faculdade ou ensino médio, mudou muito a minha vida, meu trabalho, meu modo de pensar e até o meu estilo de conversar, porque vi o lado bom da vida e da natureza”.
Janaina González fala dos impactos que a oportunidade de trabalhar nos viveiros da Novacap proporciona a reeducandas
A chefe dos Viveiros da Novacap, Janaína González, ressalta que o projeto não exige nenhum nível de escolaridade, experiência profissional, condição física ou qualquer pré-requisito, comportando todos igualmente. “A maioria chega sem conhecimento nenhum, às vezes sem nenhuma experiência com plantas, e acabam aprendendo. A gente consegue ensinar tudo para elas aqui. Além da mudança na vida delas, há toda uma cadeia de pessoas atuando em prol da sociedade, levando essas mudas para melhorar a qualidade de vida dos habitantes do DF”, observa.
Trabalho gratificante
A cada três dias trabalhados, há o ganho de um dia de remissão, que é a redução da pena
Os trabalhadores recebem Bolsa Ressocialização e também auxílios transporte e alimentação. Além disso, a cada três dias trabalhados, há o ganho de um dia de remissão, que é a redução da pena.
Com a mão na terra todos os dias na replicagem de mudinhas, a reeducanda F.M.L. reforça o quanto o trabalho e o contato direto com a natureza fizeram a diferença na trajetória dela: “Amo o meu trabalho porque através dele tenho uma vida melhor do que a de antes. É terapêutico o contato com a natureza, vale a pena. Estou pagando minhas contas direitinho e sempre sobra um pouco. É um trabalho suado e muito mais gratificante. No crime eu não tinha nada, só má-fama. E isso tudo mudou”.
Os viveiros da Novacap são ligados ao Departamento de Parques e Jardins, de onde saem todas as mudas que plantadas na cidade. No Viveiro I, as equipes enchem cerca de 1.440 saquinhos com substratos por dia para as mudas e esses saquinhos são reutilizados depois, em torno de sete vezes cada um.
José Edson da Silva celebra: “É possível escutar os passarinhos e respirar um ar mais puro“
Trabalhando na reciclagem, José Edson Vieira da Silva, 54 anos, é deficiente visual e funcionário do Viveiro I há muitos anos. Ele destaca que o ambiente arborizado, onde é possível escutar os passarinhos e respirar um ar mais puro, é a parte mais recompensadora da rotina. “Eu gosto desse trabalho, é gratificante a sensação de estar mexendo com a terra o dia inteiro, em contato com a natureza. A gente se sente útil quando está fazendo esse serviço, tanto a empresa ganha, como a gente também, é prazeroso estar aqui”.
Investimento no verde
Os jardins e canteiros floridos de Brasília são resultado de um trabalho contínuo e minucioso realizado pela Novacap, que mantém dois viveiros dedicados à produção de mudas e plantas ornamentais. Criado em 1960, o Viveiro I produz arbustos, palmáceas, herbáceas, flores e folhagens, com uma média de 1 milhão de unidades por mês, utilizadas no paisagismo da cidade. Já o Viveiro II, inaugurado em 1971, tem capacidade para produzir até 300 mil mudas de árvores por ano, incluindo espécies nativas do Cerrado, como ipês, quaresmeiras, sucupiras e copaíbas.
Em 2023, o Viveiro II passou por uma reforma estrutural, recebendo um investimento de R$ 3,4 milhões do GDF. A obra incluiu a pavimentação de acessos, construção de calçadas e reestruturação dos espaços de cultivo. O resultado é um espaço mais moderno e eficiente para a produção das plantas que embelezam a capital. Apenas em 2024, mais de 3,6 milhões de plantas e mudas foram cultivadas por eles.
O Distrito Federal conta hoje com 583 canteiros ornamentais espalhados por regiões como Plano Piloto, Sudoeste, Lago Sul, Taguatinga e Águas Claras. Somente no Plano Piloto, são mais de 1,5 milhão de plantas, todas sob os cuidados da Novacap. Além de compor a identidade visual da cidade, a arborização melhora a qualidade do ar, proporciona sombra, reduz ruídos urbanos e contribui para o conforto ambiental. No total, o DF abriga mais de 5,5 milhões de árvores, que seguem um calendário de floração ao longo do ano.

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