EDUCAÇÃO
5 hábitos de estudo que parecem eficientes, mas nem sempre são
Publicado em
18 de setembro de 2026por
Eugenio Piedade
Pesquisa de 2025 reforça que estratégias mais ativas podem favorecer a aprendizagem; especialista em educação explica como estudantes podem aproveitar melhor o tempo dedicado aos estudos
Grifar páginas inteiras, copiar o conteúdo para o caderno e reler várias vezes a matéria antes da prova são hábitos comuns entre estudantes e podem até transmitir a sensação de que o estudo está rendendo. Mas será que estar ocupado estudando significa, necessariamente, estar aprendendo? Com a chegada da reta final do ano letivo, a forma como crianças e adolescentes utilizam o tempo dedicado aos livros pode fazer diferença no desempenho.
Um estudo publicado em agosto de 2025 na revista científica Frontiers in Psychology reforça a importância de estratégias mais ativas de aprendizagem. A pesquisa, realizada com estudantes de 10 e 11 anos em um ambiente escolar real, comparou a simples releitura de conteúdos com a chamada prática de recuperação, em que os alunos precisavam buscar na memória aquilo que haviam estudado. Em uma das etapas, o grupo que utilizou a estratégia ativa alcançou média de 67,7% de acertos, enquanto o grupo que releu o material ficou em 41,3%. Os pesquisadores concluíram que testar o próprio conhecimento pode favorecer a aprendizagem mais do que apenas reler o conteúdo.
Para Cláudia Mialichi, gerente educacional do Colégio Objetivo DF, o resultado chama atenção para uma questão importante: nem sempre a quantidade de horas ou de páginas preenchidas representa o que efetivamente foi aprendido. “É comum o estudante associar um caderno cheio de anotações, muitas marcações e horas diante dos livros a um estudo eficiente. Mas aprender exige uma participação ativa. Tentar explicar um assunto com as próprias palavras, responder a uma questão sem consultar o material e identificar aquilo que ainda não conseguiu compreender são formas de perceber com mais clareza o que realmente foi assimilado”, explica.
A especialista aponta cinco hábitos comuns que podem ser repensados para tornar o estudo mais eficiente:
1. Grifar praticamente todo o texto
O marca-texto pode ser um aliado, desde que seja utilizado para selecionar informações realmente importantes. Quando praticamente toda a página é destacada, fica mais difícil estabelecer uma hierarquia entre os conteúdos. Uma alternativa é fazer primeiro a leitura completa e, depois, voltar ao texto para identificar conceitos, palavras-chave e informações essenciais.
2. Copiar páginas inteiras para o caderno
Escrever pode fazer parte do processo de aprendizagem, mas simplesmente reproduzir grandes trechos do livro ou do quadro não garante que o estudante tenha compreendido o assunto. Elaborar resumos com as próprias palavras, criar perguntas ou explicar o conteúdo como se estivesse ensinando outra pessoa exige uma participação maior durante o estudo.
3. Assistir a muitas videoaulas sem testar o que aprendeu
Os vídeos podem ser úteis para revisar conteúdos e esclarecer dúvidas, mas assistir a várias aulas em sequência pode transmitir uma sensação de familiaridade com o assunto. Depois do vídeo, vale fechar o material e tentar responder perguntas ou resolver exercícios. É justamente essa tentativa de recuperar a informação da memória que a pesquisa publicada em 2025 encontrou como mais vantajosa do que a simples releitura.
4. Passar horas estudando o mesmo conteúdo de uma vez
Estender o estudo por horas, principalmente às vésperas de uma avaliação, não é necessariamente a melhor estratégia. A própria literatura discutida pelos pesquisadores aponta benefícios de distribuir o aprendizado ao longo do tempo, embora o estudo de 2025 não tenha encontrado diferença significativa entre os dois intervalos específicos testados. Por isso, mais do que apostar em uma maratona na véspera, o estudante pode organizar uma rotina que permita contato recorrente com os conteúdos.
5. Apenas reler a matéria antes da prova
Este talvez seja um dos hábitos que mais dão a impressão de domínio. Ao encontrar repetidamente uma informação conhecida, o estudante pode sentir que sabe aquele conteúdo. O problema aparece quando precisa responder sem o livro por perto. Uma estratégia simples é terminar a leitura, fechar o material e tentar escrever ou falar tudo o que consegue lembrar. Depois, basta conferir o que acertou, o que esqueceu e quais pontos ainda precisam ser revistos.
Para Cláudia, especialmente na reta final do ano letivo, perceber como se estuda pode ser tão importante quanto definir quanto tempo será dedicado aos estudos. “Quando as notas não correspondem ao esforço, a primeira reação pode ser aumentar ainda mais as horas de estudo. Antes disso, é importante avaliar a estratégia. O aluno precisa aprender também a reconhecer o que funciona para ele, identificar suas dificuldades e participar ativamente da construção do conhecimento. Estudar melhor não significa necessariamente estudar por mais tempo”, conclui.

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