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BICADA DA ÁGUIA

Putin e Trump: paralelos de poder e soberania em um mundo de disputas geopolíticas

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O presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente russo, Vladimir Putin, realizam uma coletiva de imprensa conjunta após a reunião

Grigory Dukor/Reuters/Direitos rerservadios

Em contextos políticos, institucionais e históricos distintos, Vladimir Putin, presidente da Rússia, e Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos e novamente protagonista do cenário político global, compartilham traços marcantes em sua visão de mundo e na forma como exercem poder no tabuleiro geopolítico. A comparação entre ambos, longe de equivalências simplistas, revela padrões comuns de comportamento estatal associados ao imperialismo moderno, entendido como a projeção de poder para garantir interesses nacionais além das fronteiras.

Nacionalismo como base da política externa

Tanto Putin quanto Trump estruturam sua política externa sobre um nacionalismo assertivo, no qual a soberania nacional é tratada como valor absoluto.

  • Putin sustenta a noção de uma “Rússia histórica”, com direito a influenciar territórios que considera parte de sua esfera natural de segurança.

  • Trump, ao adotar o lema America First, redefiniu a atuação internacional dos EUA a partir de ganhos diretos e imediatos, mesmo que isso implicasse tensões com aliados tradicionais.

Em ambos os casos, o discurso interno associa a política externa à proteção do interesse nacional contra ameaças externas, ainda que essa lógica resulte em ações intervencionistas.

Contestação da ordem liberal internacional

Putin e Trump demonstram desconfiança em relação às instituições multilaterais criadas no pós-Segunda Guerra Mundial:

  • A Rússia acusa a OTAN e a União Europeia de funcionarem como instrumentos de expansão ocidental.

  • Os Estados Unidos, sob Trump, criticaram organismos como a ONU, a OMC e a OMS, alegando perda de autonomia e desequilíbrios de poder.

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O resultado é uma postura que privilegia relações bilaterais e negociações diretas, enfraquecendo consensos multilaterais e regras universais.

Poder como instrumento legítimo de influência

Embora utilizem ferramentas diferentes, ambos recorrem à coerção como instrumento central de política externa:

Rússia

  • Uso direto da força militar em regiões estratégicas.

  • Energia e recursos naturais como alavancas diplomáticas.

  • Pressão constante sobre países vizinhos.

Estados Unidos

  • Sanções econômicas em larga escala.

  • Pressão comercial e tecnológica.

  • Presença militar global como elemento dissuasório.

Especialistas apontam que essa lógica reflete uma visão realista das relações internacionais, na qual o poder prevalece sobre normas abstratas.

Flexibilização seletiva do direito internacional

Tanto Moscou quanto Washington demonstram adesão condicional ao direito internacional:

  • A Rússia questiona fronteiras e tratados quando considera seus interesses estratégicos ameaçados.

  • Os EUA, sob Trump, abandonaram ou renegociaram acordos multilaterais considerados desfavoráveis, como o Acordo de Paris e o acordo nuclear com o Irã.

A convergência está na ideia de que regras internacionais não são fins em si mesmas, mas instrumentos subordinados ao interesse nacional.

Liderança personalizada e imprevisibilidade estratégica

Outro ponto de contato é a personalização da política externa:

  • Decisões concentradas no líder.

  • Comunicação direta com a população, muitas vezes à margem da diplomacia tradicional.

  • Uso da imprevisibilidade como ferramenta de pressão e negociação.

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Essa abordagem amplia a capacidade de manobra, mas aumenta a instabilidade do sistema internacional.

Diferenças estruturais que moldam estratégias

Apesar das semelhanças, as diferenças são significativas:

Aspecto Estados Unidos (Trump) Rússia (Putin)
Alcance geopolítico Global Regional
Poder econômico Hegemônico Limitado
Sistema político Democracia institucional Regime autoritário
Ferramentas centrais Economia, sanções, alianças Força militar e energia

Essas distinções explicam por que o imperialismo americano se manifesta de forma institucionalizada e global, enquanto o imperialismo russo se concentra em zonas de influência imediatas.

Uma convergência pragmática

Analistas destacam que Putin e Trump representam variações contemporâneas do realismo político, no qual:

  • O interesse nacional é prioritário;

  • A força é um meio legítimo;

  • A soberania é defendida internamente e relativizada externamente.

Mais do que exceções, ambos refletem uma tendência crescente entre grandes potências: a substituição do ideal de uma ordem global baseada em regras pela lógica de equilíbrio de poder.

Um mundo em transição

A ascensão e a influência dessas lideranças indicam um cenário internacional marcado por competição estratégica, fragmentação institucional e menor previsibilidade. Nesse contexto, a comparação entre Putin e Trump ajuda a compreender não apenas estilos pessoais de liderança, mas mudanças estruturais no funcionamento do sistema internacional.

Em um mundo cada vez mais multipolar, a disputa entre normas e poder segue aberta — e longe de uma resolução consensual.

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