Geopolítica
De “pacifista por pragmatismo” a líder mais duro: como Trump mudou do primeiro para o segundo mandato
Publicado em
8 de janeiro de 2026por
Eugenio Piedade

Mandel Ngan/AFP/Direitos Reservados
A comparação entre os dois mandatos de Donald Trump evidencia uma mudança significativa na política externa dos Estados Unidos. Se no primeiro governo (2017–2021) o republicano ficou marcado por evitar guerras e grandes intervenções militares, o segundo mandato revela um presidente mais duro, com maior disposição para empregar força e agir de forma direta no cenário internacional.
Um presidente sem novas guerras
Durante o primeiro mandato, Trump construiu sua imagem internacional com base no lema “America First”, priorizando interesses internos e pressionando adversários principalmente por meio de sanções econômicas, tarifas comerciais e retórica agressiva.
Apesar do discurso duro, o período foi marcado pela ausência de novos conflitos armados iniciados pelos Estados Unidos — um fato incomum na política externa americana das últimas décadas. Houve confrontos pontuais, como o ataque que resultou na morte do general iraniano Qassem Soleimani, mas sem escalada para uma guerra aberta.
Diplomacia improvável e contenção militar
Outro traço do primeiro mandato foi a aposta em iniciativas diplomáticas pouco convencionais. O diálogo direto com o líder norte-coreano Kim Jong-un, por exemplo, rompeu protocolos históricos e sinalizou uma tentativa de reduzir tensões sem recorrer à força militar prolongada.
Esse conjunto de ações levou analistas a classificarem Trump, ainda que com cautela, como um presidente militarmente contido, especialmente em comparação com seus antecessores.
Segundo mandato: mais força e menos freios
O cenário mudou a partir de 2025. No segundo mandato, Trump passou a adotar uma postura mais assertiva e menos preocupada com contenções institucionais. O uso intenso de ordens executivas, o afastamento de organismos multilaterais e o discurso mais explícito em favor da força militar indicam uma guinada estratégica.
A política externa passou a enfatizar a ideia de “impor respeito” aos Estados Unidos, mesmo que isso implique maior risco de confrontos diretos ou ações intervencionistas.
Continuidade no discurso, mudança na execução
Especialistas avaliam que não se trata de uma ruptura completa, mas de uma intensificação. Trump continua rejeitando o papel tradicional dos EUA como “polícia do mundo”, porém demonstra maior disposição para ações rápidas e unilaterais em regiões consideradas estratégicas.
O aumento de investimentos militares e a retórica menos conciliadora reforçam essa percepção de endurecimento.
Contexto político favorece postura mais dura
A diferença entre os dois períodos também está no contexto interno. No primeiro mandato, Trump enfrentava maior resistência do establishment político e militar. No segundo, governa com uma equipe mais alinhada e com menos freios institucionais, o que facilita a adoção de medidas mais duras.
Para críticos, esse cenário eleva o risco de instabilidade global. Para aliados, representa o fortalecimento da capacidade de dissuasão americana.
Entre contenção e intervenção
Rotular o Trump do primeiro mandato como pacifista pode ser impreciso. Ainda assim, é correto afirmar que ele foi mais contido no uso da força militar. Já o Trump do segundo mandato mantém o nacionalismo do “America First”, mas com uma execução mais agressiva e pró-intervenção, marcando uma mudança relevante na forma como os Estados Unidos se posicionam no mundo.

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