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Audiência debate construção urgente do novo Hospital de Ceilândia
Publicado em
28 de abril de 2026por
Eugenio Piedade
Audiência debate construção urgente do novo Hospital de Ceilândia
Discussão reuniu comunidade, especialistas e gestores em busca de encaminhamentos concretos para a ampliação da rede hospitalar na maior cidade do DF
A Câmara Legislativa do Distrito Federal realizou, nesta segunda-feira (27), uma audiência pública para discutir a construção do novo Hospital Regional de Ceilândia. O evento, presidido pelo deputado Max Maciel (PSOL), reuniu representantes do Governo do Distrito Federal (GDF), especialistas em saúde, movimentos sociais e a comunidade local para discutir a viabilidade e a urgência do projeto que, segundo relatos, se arrasta há anos.
A principal tese defendida durante a audiência foi a de que o atual Hospital Regional de Ceilândia (HRC), inaugurado em 1981, tornou-se insuficiente para atender a maior Região Administrativa do DF.
O deputado Max Maciel reforçou esse entendimento durante a abertura do debate. “É um prédio que, sem dúvidas, em sua concepção não foi pensado para a dimensão territorial e populacional que temos hoje”, destacou.
A técnica de enfermagem Stella Krause, servidora da unidade há 26 anos, descreveu a situação atual do hospital como crítica. Segundo ela, a falta de estrutura é “desumana, tanto para os trabalhadores quanto para os pacientes”, o que inviabiliza um atendimento de qualidade.
Dados técnicos apresentados pela médica pediatra e ex-diretora do HRC, Andréa Araújo, reforçaram a gravidade do cenário. De acordo com parâmetros da Organização Mundial da Saúde, Ceilândia necessitaria de, aproximadamente, 1.500 leitos, mas conta hoje com cerca de 500, o que representa um déficit de pelo menos 1.000 leitos. Andréa também destacou indicadores sociais sensíveis da região, como a taxa de mortalidade infantil de 13,1 por mil, superior à média do Distrito Federal, além da dependência exclusiva do SUS por 75,6% da população.
O superintendente da Região de Saúde Oeste, César Brenol Renk, reconheceu que a falta de espaço chegou ao ponto de novos especialistas contratados não terem salas para atendimento, apesar do esforço das equipes. Em defesa do trabalho realizado pela equipe atual, mesmo diante das limitações estruturais, o médico enfatizou: “A gente atende com muita qualidade, não com o que gostaríamos de fato, mas com muita qualidade porque todos os servidores da região oeste e da SES atendem com coração, atendem com alma”.
Articulação para construção do novo hospital
A médica Andréa Araújo relembrou que, em 2018, chegou a ser aprovado em instância colegiada um projeto para a construção de um hospital de cinco pavimentos, com 485 leitos e perfil de alta complexidade. O plano, no entanto, acabou paralisado devido à mudança de governos. Para Andréa Araújo, a execução da obra vai além da técnica. “A construção do hospital é, antes de tudo, uma decisão do gestor”, afirmou.
A deputada federal Érica Kokay (PT-DF) avaliou que, apesar do alto custo estimado da obra, a bancada federal do DF tem capacidade de garantir recursos por meio de emendas parlamentares ao longo dos anos, desde que o projeto seja definido como prioridade. “A construção do hospital é decisão política, porque podemos articular recursos vultosos da bancada do Distrito Federal para viabilizar essa obra”, afirmou.
Ela também ressaltou a importância de fortalecer a atenção básica para reduzir a pressão sobre a rede hospitalar, lembrando que a dificuldade de acesso a exames e especialistas gera longas esperas e sofrimento para a população.
A professora Laura Mandili Toni, da UnB Ceilândia, destacou que o novo hospital deve ser visto também como espaço estratégico de formação profissional. “É no SUS que nossos estudantes aprendem o cuidado na prática. Um novo hospital ampliaria os espaços de ensino, pesquisa e extensão”, afirmou.
Do ponto de vista técnico, o chefe do Departamento de Projetos da Novacap, Paulo César Bastos Pereira, informou que a construção do hospital está estimada em cerca de R$ 350 milhões, além de R$ 10 a 15 milhões para a elaboração dos projetos técnicos.
Já o secretário executivo da Secretaria de Saúde, Valmir Lemos, garantiu que o orçamento não será obstáculo caso haja projeto e terreno definidos. Segundo ele, a gestão estuda, inclusive, a possibilidade de um hospital vertical. “Tendo projeto e terreno, o dinheiro não será problema”, afirmou.
Voz da comunidade: “Ceilândia merece coisas boas”
Representando o Movimento Popular por uma Ceilândia Melhor (Mopocem), Madalena Torres apresentou abaixo-assinado com milhares de assinaturas coletadas ao longo dos anos. Em sua fala, ela rejeitou a ideia de que a cidade deva se contentar apenas com reformas paliativas. “Ceilândia é merecedora de coisas boas. É merecedora de um hospital digno, porque o atual não atende mais”, defendeu.
O sentimento foi reforçado por Gilberto Costa, do Centro de Cultura e Educação Popular Paulo Freire de Ceilândia (Cepafre), que comparou o interior do HRC a um “cenário de guerra”. Já a presidente do Conselho Regional de Saúde de Ceilândia, Daniela Ciriaco, relatou fiscalizações recentes que encontraram áreas com mofo, tetos danificados e equipamentos inadequados, classificando a situação como uma afronta à dignidade humana.
Encaminhamentos e marco simbólico
No fim da audiência, o deputado Max Maciel anunciou encaminhamentos, como a oficialização à Novacap para atualização do projeto e a criação de um Grupo de Trabalho técnico com participação da UnB e do Conselho de Saúde para estudos de viabilidade de construção do novo hospital.
Como gesto simbólico e político, também foi proposta a instalação de uma pedra fundamental no terreno destinado à saúde. “É preciso marcar o território para que a população visualize o hospital e para impedir qualquer tentativa de mudança de destinação da área”, concluiu o parlamentar.

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