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BICADA DA ÁGUIA

Por Que os Mais Pobres Participam Menos da Política?

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Pesquisa da FGV mostra que a falta de crença no próprio poder de influência política contribui para a baixa participação de indivíduos de baixa renda. Mensagens simples podem ajudar a mudar esse quadro

A participação política desigual entre ricos e pobres é um fenômeno global, frequentemente explicado por fatores como falta de informação ou acesso a instituições políticas. No entanto, uma nova pesquisa da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV-EBAPE) revela que indivíduos de baixa renda participam menos da política em grande parte porque não acreditam que pessoas como elas têm poder de influenciar as decisões políticas. O estudo foi publicado no Journal of Experimental Social Psychology e foi conduzido pelo pesquisador da FGV-EBAPE Yan Vieites, em parceria com Rodrigo Furst, da Universidade de Oxford, e Bernardo Andretti, da NEOMA Business School.

A pesquisa é resultado de sete estudos conduzidos em diferentes contextos e países. No primeiro estudo, os pesquisadores analisaram dados de 70.417 respondentes em 47 países, coletados pela World Values Survey, e verificaram que indivíduos com maior nível socioeconômico (NSE) relatam consistentemente mais engajamento político, seja votando, assinando petições, participando de boicotes ou manifestações. Esse padrão se repetiu em 91% dos países analisados. Um segundo estudo, realizado com uma amostra representativa da população brasileira, replicou os resultados utilizando um indicador comportamental de participação: a disposição real de acessar uma petição eletrônica.

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Para investigar os mecanismos por trás dessa desigualdade, os pesquisadores testaram o papel da eficácia política — a crença de que o indivíduo é capaz de influenciar o sistema político. Os resultados mostram que indivíduos de baixo NSE relatam menor eficácia política e que esse sentimento explica parte relevante da menor participação política desse grupo. Isso ocorre independentemente do nível de confiança nas instituições e de percepções sobre a justiça do processo eleitoral.

Por fim, dois estudos de campo foram conduzidos diretamente no Complexo de Favelas da Maré, no Rio de Janeiro, com moradores em situação de extrema vulnerabilidade. Esses estudos foram conduzidos no período que antecedeu e no que se seguiu à acirrada eleição presidencial de 2022, vencida por Lula com menos de 1% de vantagem sobre Bolsonaro.

Nesses estudos de campo, os pesquisadores testaram uma intervenção simples: expor os moradores a mensagens que reforçavam a capacidade de cada voto e de cada ação política de fazer diferença. Os resultados foram expressivos. Participantes expostos à mensagem de eficácia política mostraram maior disposição de buscar informações sobre como participar das eleições e relataram intenção de voto significativamente mais alta do que aqueles no grupo de controle. “A boa notícia é que não precisamos de intervenções complexas ou caras. Mensagens bem desenhadas, que lembrem as pessoas do real impacto de sua participação política, podem ser importantes para reduzir essa desigualdade”, afirma Rodrigo Furst.

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Os achados têm implicações diretas para políticas públicas e campanhas de mobilização eleitoral. Segundo os pesquisadores, estratégias que se concentram apenas em facilitar o acesso ao voto (como reduzir filas ou ampliar pontos de votação) podem ser insuficientes se não enfrentarem também as barreiras psicológicas que impedem os mais pobres de acreditar que sua participação importa. “Quando as pessoas de baixa renda não participam, suas preferências ficam sub-representadas nas decisões políticas, o que pode perpetuar as próprias desigualdades que as afetam”, conclui Vieites.

 

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