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Saúde

Sintomas da covid-19 podem persistir meses ou anos após a infecção

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Estimular hábitos saudáveis e promover o acompanhamento multiprofissional são recursos no tratamento da covid longa (Imagem ilustrativa: Freepik).

Atendimentos na Rede Ebserh demonstram que dor de cabeça, cansaço e perda de memória estão entre as queixas mais persistentes 

Mesmo seis anos após o primeiro caso de covid-19 diagnosticado no Brasil, muitos pacientes continuam enfrentando sintomas da doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Essa é uma condição conhecida como covid longa, com data de conscientização mundial em 15 de março, idealizada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nos Hospitais Universitários da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), pesquisas e atendimentos são realizados para tratar esses casos. 

Segundo a neurologista Álissa Formiga, do Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (CH-UFC), a covid longa, também chamada de síndrome pós-covid, é caracterizada pela persistência de sintomas após a infecção inicial, que podem durar meses ou até anos. Entre os sintomas neurológicos mais frequentes estão “a dificuldade de concentração, fadiga crônica, dor de cabeça, perda ou redução do olfato e a chamada névoa mental, quando o paciente busca por palavras ou tenta lembrar de algo específico e não consegue”, detalha. 

Alguns desses sintomas são enfrentados por Victor Torres, de 27 anos, que teve a doença quatro vezes: duas em 2020 e duas em 2021. Durante os episódios de infecção aguda, ele relata que teve febre, cansaço e perda de olfato e paladar. Embora tenha se recuperado sem necessidade de internação, Victor passou a conviver com alterações no sono (com dias de muita sonolência e outros com dificuldade para dormir), além de problemas de memória. 

Desde 2023, quando começou a ser atendido pelo Grupo de Pesquisa em Neurocovid do HUWC, Victor realizou exames de imagem e de sangue e segue sendo acompanhado para tratar a condição. “O atendimento foi ótimo, com equipe bem-preparada. Ainda estou com alguns sintomas, mas tento focar em hábitos saudáveis para ir melhorando ao longo do tempo”, conta. 

Segundo a neurologista Álissa, a análise dos casos clínicos feita pelo Grupo já aponta algumas evidências: “Observamos uma redução dos sintomas de covid longa após a vacinação. Também percebemos maior comprometimento do sono, principalmente insônia, entre pacientes que continuam sintomáticos. Alterações de memória, como a névoa mental, também parecem persistir por mais tempo”, afirma. 

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A infectologista Rita Medeiros, gerente de Atenção à Saúde do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), do Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA), também acrescenta que a covid longa pode atingir qualquer pessoa, mas alguns grupos apresentam maior risco: mulheres, idosos, tabagistas, sobrepeso ou obesidade e com problemas crônicos de saúde pré-existentes. “Pessoas que tiveram covid mais grave, que necessitaram de hospitalização ou que tiveram diversos episódios da doença também têm risco aumentado”, como no caso de Victor. Ainda segundo a especialista, a ocorrência dessa condição foi mais significativa nos primeiros anos da pandemia do que nos casos mais recentes de infecção. 

Pesquisa confirma a persistência dos sintomas 

O epidemiologista Alexandre Medeiros, superintendente do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW), faz parte de pesquisas conduzidas em parceria pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e pelo Departamento de Assuntos Médicos, Estudos Clínicos e Farmacovigilância da Fiocruz (RJ), que investigam a persistência de sintomas.  

Um desses estudos avaliou 1.350 participantes com casos leves, moderados e graves da doença, internados ou não. Na análise, 54% apresentaram persistência de sintomas após a covid-19 por mais de 12 semanas, caracterizando a síndrome pós-covid. “A fadiga foi o sintoma mais referido no grupo que teve sintomas persistentes, com 70% de incidência. Outros sintomas muito frequentes foram: tosse (62%), cefaleia (57%), perda de memória (54%), dor articular (51%), perda de apetite (50%) e dificuldade de concentração (49%)”, pontua Alexandre. 

Impactos renais 

A covid-19 também pode ter impacto em outros órgãos, como os rins, especialmente nos casos graves da doença porque, durante a internação, alguns pacientes precisaram realizar hemodiálise. O nefrologista Jocemir Lugon, do Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), explica que a recuperação da função renal varia conforme a condição anterior do paciente.  

Em pessoas que não tinham doença renal antes da covid, a função dos rins geralmente se recupera total ou parcialmente após a fase aguda da doença. Já os pacientes que apresentavam algum grau de doença renal, mesmo sem precisar de hemodiálise antes da infecção, podem evoluir para a necessidade desse tratamento de forma permanente. 

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Por isso, o nefrologista destaca a importância do acompanhamento. “Pacientes que tiveram recuperação parcial da função dos rins e aqueles que tinham doença renal antes de contrair a covid devem ser acompanhados com o objetivo de detectar e tratar agravamentos de sua doença renal”, reforça Jocemir. 

Tratamentos

Como os sintomas da covid longa são variados, o tratamento é definido de forma individualizada e multiprofissional, de acordo com as necessidades dos pacientes. Conforme ressalta Rita Medeiros, o principal objetivo é melhorar a qualidade de vida: “Uma orientação fundamental é a reabilitação fisioterapêutica, além do estímulo a hábitos de vida saudáveis, como boa alimentação, sono adequado e prática de atividades físicas regulares”. 

Ela acrescenta que, em alguns casos, pode ser necessário o uso de medicamentos para controle de dor, ansiedade ou depressão, além de acompanhamento psicológico. “Suporte psicoterapêutico também tem grande relevância para a recuperação do paciente”, conclui. 

As pesquisas estão em fase final e já não recebem novos participantes, mas, nos diversos ambulatórios especializados dos Hospitais Universitários Federais, os tratamentos são realizados conforme as queixas de saúde de cada paciente. O acesso aos serviços segue o fluxo da regulação das unidades básicas de saúde dos municípios. 

Sobre a Ebserh

Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.  

Por Marília Rêgo, com revisão de Andréia Pires 

Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh

Categoria

Saúde e Vigilância Sanitária

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