GDF / BRASÍLIA
Estudo avalia presença de microplásticos no Lago Paranoá e aponta importância de reciclagem
Publicado em
27 de março de 2025por
Eugenio Piedade
O impacto dos microplásticos nos ecossistemas aquáticos representa uma recorrente preocupação global. No Distrito Federal, pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB,) com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAPDF), estão conduzindo estudo detalhado sobre a presença dessas partículas no Lago Paranoá, um dos principais reservatórios de água da região. A pesquisa busca compreender as fontes de contaminação, os impactos ambientais e possíveis soluções para mitigar esse problema.
Segundo o estudo, os níveis de microplásticos no Lago Paranoá são baixos em comparação com outras regiões do Brasil | Foto: Arquivo/Agência Brasília
O último sábado (22) foi dedicado às comemorações do Dia Mundial da Água, uma data que reforça a importância da preservação dos recursos hídricos e destaca desafios como a poluição por microplásticos. O estudo aponta que as principais fontes de microplásticos no Lago Paranoá são as estações de tratamento de esgoto, além do escoamento superficial das chuvas, que carregam resíduos plásticos descartados inadequadamente. Apesar da contaminação detectada, os níveis de microplásticos no Lago Paranoá são baixos em comparação com outras regiões do Brasil.
Para identificar e caracterizar os microplásticos, os pesquisadores utilizam diferentes métodos de coleta. Nas margens do lago, centenas de litros de água são filtrados por peneiras de 60 micrômetros. No interior do lago, uma embarcação é usada para arrastar uma rede de plâncton, permitindo a captura de partículas em suspensão.
“Os resultados dessa pesquisa são um passo importante para a ampliação do conhecimento sobre a presença de microplásticos no ambiente e seus possíveis impactos nas águas e na saúde humana. Além disso, reforçam a necessidade de fortalecer ações de saneamento, gestão de resíduos e conscientização ambiental”
Marco Antônio Costa Júnior, presidente da FAPDF
Após a coleta, as amostras passam por um rigoroso processo de separação e análise em laboratório, que inclui a remoção de matéria orgânica e a caracterização das partículas por microscopia óptica e espectroscopia de infravermelho.
Os pesquisadores também investigam como os microplásticos interagem com micropoluentes emergentes, como os fármacos sulfametoxazol e diclofenaco, frequentemente encontrados em efluentes de esgoto.
O estudo revelou que microplásticos envelhecidos e recobertos por matéria orgânica podem atuar como vetores desses contaminantes, aumentando sua biodisponibilidade para organismos aquáticos. “Além disso, foi constatado que esses poluentes podem ser liberados no trato gastrointestinal dos animais, potencializando seus efeitos nocivos na fauna”, destacou o orientador da pesquisa, Fernando Sodré.
Embora a pesquisa não tenha investigado diretamente os impactos na fauna local, estudos internacionais indicam que a ingestão de microplásticos pode causar obstrução do trato digestivo, redução na absorção de nutrientes e intoxicação por substâncias químicas aderidas às partículas plásticas.
Para identificar e caracterizar os microplásticos, os pesquisadores utilizam diferentes métodos de coleta; nas margens do lago, centenas de litros de água são filtrados por peneiras de 60 micrômetros
Para reduzir a poluição por microplásticos no DF, os pesquisadores destacam a importância de melhorias no saneamento, ampliação da coleta seletiva e redução do consumo de plásticos descartáveis. Apesar de possuir bons índices de saneamento, o DF ainda enfrenta desafios na gestão de resíduos sólidos, especialmente na adesão da população à separação e reciclagem de plásticos.
A implementação de políticas de economia circular, como a logística reversa para embalagens plásticas, é uma das estratégias sugeridas pelos pesquisadores para reduzir o impacto ambiental do plástico e incentivar sua reutilização
“É importante destacar que, mesmo com bons sistemas de tratamento de esgoto, os microplásticos podem escapar dos processos convencionais e alcançar os corpos d’água. Isso reforça a necessidade de reduzir o problema na fonte, evitando que essas partículas sejam descartadas no ambiente desde o início”, completa Fernando.
Os resultados desse estudo podem contribuir para a criação de políticas públicas voltadas ao controle da poluição plástica. Nos últimos anos, o Brasil tem ampliado sua participação em iniciativas globais para combater esse problema, mas ainda ocupa uma posição de grande produtor e baixo reciclador de plásticos.
A implementação de políticas de economia circular, como a logística reversa para embalagens plásticas, é uma das estratégias sugeridas pelos pesquisadores para reduzir o impacto ambiental do plástico e incentivar sua reutilização.
“O Lago Paranoá, um dos nossos patrimônios ambientais mais valiosos, desempenha um papel fundamental no abastecimento de água, lazer e equilíbrio ecológico da nossa região. Os resultados dessa pesquisa são um passo importante para a ampliação do conhecimento sobre a presença de microplásticos no ambiente e seus possíveis impactos nas águas e na saúde humana. Além disso, reforçam a necessidade de fortalecer ações de saneamento, gestão de resíduos e conscientização ambiental”, avalia o presidente da FAPDF, Marco Antônio Costa Júnior, sobre o estudo que foi atendido pelo edital Demanda Espontânea de 2023.
O estudo sobre microplásticos no Lago Paranoá faz parte de uma rede nacional de pesquisa, permitindo a comparação com outros corpos-d’água no Brasil. Os pesquisadores planejam expandir a análise para outros ecossistemas aquáticos do DF e desenvolver projetos de educação ambiental, incentivando a participação da comunidade na redução da poluição plástica. Ao integrar ciência, políticas públicas e conscientização ambiental, a pesquisa representa um passo essencial para a preservação dos recursos hídricos e a mitigação dos impactos dos microplásticos nos ecossistemas do DF.
*Com informações da FAPDF

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