DIVERSAS
Abril Azul: no mês de conscientização sobre o Autismo, entenda o transtorno e a importância do diagnóstico precoce
Publicado em
6 de abril de 2026por
Eugenio Piedade
Campanha chama atenção para o TEA, reforçando a importância da informação, identificação precoce dos sinais e inclusão social
São Paulo, 06 de abril de 2026 – O mês de abril é marcado mundialmente por iniciativas de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), em referência ao Dia Mundial de Conscientização do Autismo, celebrado em 2 de abril. A data foi instituída pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 2007, com o objetivo de ampliar o conhecimento da sociedade sobre a condição neurológica, combater o preconceito e incentivar políticas públicas de inclusão e apoio às pessoas autistas e suas famílias. A iniciativa também busca ampliar o entendimento da população sobre o assunto e incentivar o diagnóstico precoce.
O TEA trata-se de uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada principalmente por diferenças na comunicação e na interação social, além da presença de comportamentos repetitivos e interesses restritos. Pessoas autistas também podem apresentar sensibilidade sensorial aumentada ou diminuída a estímulos como sons, luzes, cheiros e texturas.
A ciência ainda não identificou uma causa única para o TEA, mas diversos estudos indicam que a condição está associada a uma combinação de fatores genéticos e ambientais que influenciam o desenvolvimento do cérebro, especialmente nos primeiros anos de vida. Os sinais costumam surgir ainda na infância e podem incluir dificuldade em manter contato visual, desafios para compreender expressões e emoções, necessidade de rotinas muito estruturadas ou forte interesse por determinados temas.
“Como se trata de um espectro, essas características variam bastante de pessoa para pessoa. Dependendo do grau de suporte necessário, o autismo pode impactar diferentes aspectos da vida cotidiana, como a aprendizagem, as relações sociais, a autonomia e a adaptação a ambientes novos, tornando importante o acompanhamento especializado e estratégias de apoio adequadas ao longo da vida”, explica o psicólogo e orientador educacional do Brazilian International School – BIS, de São Paulo (SP), Marcelo Freitas.
O diagnóstico clínico (ou seja, não existe um exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar o autismo) é feito por uma equipe multidisciplinar que pode envolver profissionais como neuropediatras, neurologistas, psiquiatras infantis, psicólogos, pediatras do desenvolvimento, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e psicopedagogos; realizado a partir da observação do comportamento da criança em casa ou na escola, para compreender melhor como ela se desenvolve no dia a dia, ouvindo a família e educadores.
Por tratar-se de um transtorno, uma condição do neurodesenvolvimento que vai acompanhar a pessoa ao longo da vida – e não uma doença – o TEA não tem cura. “Quanto antes os sinais são percebidos, maiores são as possibilidades de intervenções e terapias que proporcionam melhor desenvolvimento e qualidade de vida para o indivíduo”, acrescenta Freitas.
FORMAS, NÍVEIS E SINAIS DO AUTISMO
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) recebe esse nome justamente porque não se manifesta da mesma forma em todas as pessoas. “As características podem variar bastante em intensidade, forma de apresentação e impacto na vida cotidiana. O conceito de espectro existe justamente para mostrar que o autismo não é uma condição única e uniforme. Cada pessoa apresenta combinações próprias de habilidades e desafios, o que exige estratégias de acompanhamento e apoio individualizadas”, ressalta a mestre em educação especial e diretora pedagógica da Escola Bilíngue Aubrick, da capital paulista, Teca Antunes.
Formas do TEA: o Transtorno do Espectro Autista (TEA) engloba diferentes manifestações que variam em intensidade e características, podendo incluir desde quadros mais leves, com linguagem e cognição preservadas, mas dificuldades na compreensão de aspectos sociais da comunicação; até condições mais complexas, marcadas por desafios significativos na interação social, na comunicação verbal e por comportamentos repetitivos. Em alguns casos, os sinais aparecem precocemente no desenvolvimento infantil, enquanto em outros pode haver regressão de habilidades já adquiridas.
“De modo geral, o espectro é caracterizado por diferentes níveis de suporte necessários, além de possíveis sensibilidades a mudanças de rotina e padrões específicos de interesse e comportamento”, explica Teca.
Níveis do TEA: são definidos com base na quantidade de suporte que cada pessoa necessita no dia a dia, refletindo a diversidade de manifestações do espectro. Essa classificação auxilia profissionais e famílias a compreender melhor as necessidades individuais, que podem variar desde dificuldades mais leves nas interações sociais e na adaptação a mudanças, até quadros em que há comprometimentos mais significativos na comunicação, no comportamento e na autonomia, exigindo níveis mais intensos de apoio para a realização de atividades cotidianas.
“Os níveis do TEA não representam uma ideia de severidade, mas indicam principalmente o grau de suporte que a pessoa precisa para se comunicar, interagir socialmente e lidar com as demandas da rotina”, explica Teca Antunes.
Sinais do TEA: os sinais mais comuns envolvem dificuldades na comunicação e na interação social, comportamentos repetitivos, apego a rotinas, interesses restritos e possíveis sensibilidades sensoriais, além de desafios na compreensão de aspectos sociais e na adaptação a diferentes situações do dia a dia.
“Os primeiros indícios costumam aparecer na infância e podem envolver atraso no desenvolvimento da linguagem, menor contato visual ou dificuldades na interação social. Nem todas as pessoas que estão dentro do espectro apresentam os mesmos sinais, e a intensidade pode variar bastante”, explica a diretora da Aubrick.
NÚMERO DE CASOS ESTÁ CRESCENDO?
Nos últimos anos, o aparente aumento no número de diagnósticos de autismo tem levantado dúvidas e até a percepção de que o transtorno teria se tornado mais comum. Jacqueline Cappellano, psicopedagoga e coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville – EIA, de Barueri (SP), aponta que essa impressão está relacionada ao avanço do conhecimento científico e à maior disseminação de informações sobre o tema.
“É importante tratar do tema com seriedade e não banalizar o assunto, pois é um transtorno que impacta a vida de milhões de pessoas. Hoje há mais informações disponíveis para pais, educadores e profissionais de saúde. Isso faz com que sinais que antes passavam despercebidos ou eram atribuídos a outras condições sejam identificados e investigados com mais precisão”, explica.
Além disso, os critérios diagnósticos foram ampliados ao longo das últimas décadas, o que permitiu reconhecer diferentes manifestações do espectro. Esse processo também tem levado muitos adultos a receber o diagnóstico apenas na vida adulta. “O que estamos observando não é necessariamente uma explosão de novos casos, mas sim uma sociedade mais informada e profissionais mais preparados para reconhecer sinais que podem ou não apontar para um diagnóstico de autismo”, acrescenta Jacqueline.
O Censo Demográfico de 2022 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) aponta que 2,4 milhões de pessoas têm o diagnóstico de TEA no Brasil, o que corresponde a 1,2% da população. A maioria, 1,4 milhão, é do sexo masculino, e a faixa etária de maior prevalência é de crianças de 5 a 9 anos.
ESCOLA TEM PAPEL IMPORTANTE
A escola é um dos ambientes onde sinais do autismo se tornam mais perceptíveis. Professores e equipes pedagógicas acompanham diariamente o comportamento das crianças e conseguem observar diferenças na comunicação, na interação com colegas ou na adaptação a rotinas.
“Educadores frequentemente estão entre os primeiros a perceber quando uma criança apresenta dificuldades de interação ou padrões comportamentais que merecem uma avaliação mais cuidadosa. Como o profissional da educação tem contato diários com diversos perfis de crianças, ele tem a sensibilidade de notar diferenças de comportamento que a família, em casa, não consegue distinguir com tanta facilidade. Esse olhar atento é fundamental para ajudar e orientar as famílias na busca por avaliação profissional”, afirma Lívia Martins, diretora pedagógica do colégio Progresso Bilíngue.
Além disso, nas últimas décadas, o Brasil avançou de forma significativa na promoção da educação inclusiva para estudantes com TEA, com a criação de leis e políticas públicas que buscam garantir acesso à escola regular com o apoio necessário para o aprendizado e participação social do indivíduo, além do estímulo à formação de professores.
“Hoje há um reconhecimento maior de que a escola precisa estar preparada para acolher diferentes formas de aprendizagem. E a inclusão não significa apenas garantir matrícula, mas oferecer condições para que o estudante autista participe efetivamente do processo educacional, e o desenvolvimento de estratégias pedagógicas que respeitam as necessidades e potencialidades de cada estudante”, acrescenta a especialista. Uma escola preparada para a inclusão beneficia não apenas o estudante autista, mas toda a comunidade escolar. O convívio com diferentes formas de aprender e se comunicar contribui para criar ambientes mais empáticos, diversos e respeitosos para todos”, finaliza Lívia.
Os especialistas
Jacqueline Cappellano é pedagoga, pós-graduada em Bilinguismo e Psicopedagogia coordenadora da Educação Infantil da Escola Internacional de Alphaville. É uma grande entusiasta da Educação Bilíngue e fascinada pelo universo da educação infantil. Enxerga no intercâmbio entre ideias e culturas, um caminho para a paz entre os povos.
Lívia Martins é pedagoga formada pela Unicamp, com MBA em Gestão Escolar pela USP-Esalq e especializações nas áreas de Tecnologia Educacional (USP-ICMC) e Neurociência e Psicologia Positiva (PUC-PR), Lívia tem mais de 10 anos de experiência em sala de aula como professora. Em 2015, iniciou sua trajetória na gestão, atuando em diferentes papéis. É diretora pedagógica das unidades Progresso Bilíngue.
Marcelo Tucci de Freitas é psicólogo clínico TCC, com especialização em adolescência; pedagogo; possui MBA em Gestão Educacional, e atualmente é orientador educacional do Ensino Fundamental Anos Finais no Brazilian International School – BIS. Com mais de 30 anos de experiência na área educacional atuou em diversas instituições de ensino básico e superior, na coordenação pedagógica e como docente de Psicologia e Ética.
Teca Antunes é pedagoga, Mestre em Educação Especial e pós graduada nas áreas de Didática para Educação Bilíngue e Alfabetização. Tem experiência em sala de aula e na gestão de escolas bilíngues, além de atuar como formadora de professores em diversas áreas. Na Escola Bilíngue Aubrick, atua na direção pedagógica promovendo o alinhamento de práticas frente ao projeto pedagógico da instituição, acompanhando o desenvolvimento profissional dos colaboradores e buscando construir uma experiência de excelência e relevância para todos os estudantes.

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