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Comissão geral estima aumento da arrecadação do DF com reforma tributária
Publicado em
25 de setembro de 2025por
Eugenio Piedade
Comissão geral estima aumento da arrecadação do DF com reforma tributária
Especialistas também ressaltaram perda de autonomia tributária
Promovida por iniciativa da bancada petista da Câmara Legislativa — que inclui os distritais Chico Vigilante, Gabriel Magno e Ricardo Vale — comissão geral realizada nesta quinta-feira (25) na Casa discutiu as mudanças esperadas com a implementação da reforma tributária e os impactos que prováveis para o Distrito Federal. Se, por um lado, os participantes estimaram aumento da arrecadação do ente federativo, por outro, apontaram a perda da autonomia tributária plena. Como consenso, a falas enalteceram a simplificação do sistema, o ganho em eficiência econômica e a diminuição da burocracia e da guerra fiscal entre estados.
Promovido pela emenda constitucional 132/2023 e regulamentado pela lei complementar 214/2025, o texto substitui o imposto estadual (ICMS) e o municipal (ISS) pelo novo Imposto Sobre Bens e Serviços (IBS). Já os tributos de âmbito federal (IPI, PIS e Cofins) vão dar lugar à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Além disso, o novo sistema institui o Comitê Gestor do IBS, composto por 27 representantes dos estados e 27 representantes dos municípios. O órgão será responsável pela arrecadação, gestão e distribuição do IBS.

Para Chico Vigilante, a reforma é um marco na modernização do sistema nacional. “O grande desafio agora é garantir que a transição seja conduzida com equilíbrio, assegurando a sustentabilidade fiscal dos entes federados, como o Distrito Federal, sem onerar excessivamente o cidadão”, pontuou.
Assessor especial da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (Fecomércio-DF), Eduardo Almeida explicou que a economia do DF é caracterizada pelo setor de serviços e por isso será fortemente impactada pelo novo sistema tributário. “Estimamos que o DF seja uma das unidades mais beneficiadas”, enfatizou. Magno apresentou uma previsão de R$ 2,5 bilhões a mais recebidos em âmbito distrital. Contudo, obter uma cifra vultosa não significa gastar bem, como lembrou o parlamentar Ricardo Vale. Para ele, a situação da saúde pública, da mobilidade, e do salário dos profissionais de educação revela que o GDF emprega mal os recursos dos quais já dispõe.

Auditor da Receita e secretário executivo da Fazenda do DF, Anderson Borges ponderou que a transição longa do sistema vai atrasar o impacto total dessa arrecadação extra. Como há estados que vão perder valores com a reforma, parte do excesso arrecadado será retido no período de adaptação para compensar os prejudicados.
Sinalizou, também, que o Distrito Federal sai de uma competência tributária plena para decidir sobre a arrecadação de impostos — o que dá capacidade de modular as alíquotas diante de emergências, por exemplo — para se tornar um dos membros do Comitê Gestor do IBS, assim como vai ocorrer com os demais estados e municípios.
Da tribuna, o auditor fiscal do DF Leonardo dos Santos criticou o projeto de lei complementar 108/2024, que propõe retirar a possibilidade de o Distrito Federal ser eleito como município: ou seja, poderá ocupar apenas a vaga estadual no Comitê Gestor, embora acumule competências e responsabilidades das duas esferas.
Ao destrinchar a realidade distrital, Paula Belmonte (Cidadania) expressou preocupação com a situação a longo prazo, dado o quanto o DF depende do Fundo Constitucional. “O que estamos fazendo para não ficar tão dependentes da União? Hoje temos uma carga de serviços muito grande e ficaremos à mercê de uma arrecadação de consumo. Como vamos crescer e desenvolver o DF a médio e longo prazo? Hoje não temos garantia de que o Fundo Constitucional vá ser perene”, questionou.
Outra mudança a nível local são os cerca de R$ 10 bilhões em benefícios fiscais concedidos pelo DF, indicou Anderson Borges. O montante será reduzido no período de transição até deixar de existir, paulatinamente, em 2033.
Do ponto de vista das competências do Legislativo, o consultor da Casa Vinícios Nascimento salientou que a reforma não tira dos legislativos estaduais e municipais a competência de controle externo da administração pública, bem como da fiscalização e do controle contábil, orçamentário, financeiro e patrimonial.

A reforma
Um dos especialistas que construiu o texto da reforma, o consultor legislativo do Senado Federal Ricardo Assunção, comparou as características do sistema tributário vigente com as do vindouro. Marcado pela descentralização fiscal, aumento da arrecadação via contribuições especiais e pela autonomia dos entes, o sistema atual resultou em guerra fiscal, complexidade da legislação tributária e alto volume de contencioso.
Em contraste, a reforma tributária tem como princípios a unificação de tributos; a incidência sobre o consumo em vez da produção; a distribuíção onde houver o consumo, e não a indústria instalada, por exemplo; além da longa transição federativa. Essa adaptação estendida é planejada para evitar solavancos na arrecadação dos entes federados, segundo o auditor-fiscal da Receita Roni Brito.
Os participantes do encontro destacaram a reunião de todas as regras tributárias em um único regulamento como um dos principais ganhos. “É uma revolução tributária que estamos vivendo e acredito que para muito melhor. Teremos algo bem mais simples, funcional e eficiente”, sintetizou Brito, que ainda abordou a criação do imposto seletivo, que vai desincentivar bens e serviços potencialmente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente.
“A reforma tributária é um novo mundo de imposto sobre valor agregado, que já existe em 173 países. O Brasil é o último da América Latina a adotar esse sistema”, contextualizou Rubens Roriz, auditor fiscal do DF e vice-presidente da Associação Nacional de Fiscais de Tributos Estaduais (Febrafite).
Outro aspecto que motivou elogios são as modificações para o setor industrial. O presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal (Fibra), Jamal Jorge Bittar, disse que o setor represente 20% do PIB e paga por 36% dos impostos, mas que o novo sistema promete corrigir o que enxerga como distorções. “O intermediário é muito importante no processo, mas não pode ter privilégios além do produtor, que é quem efetivamente arca com os custos de inovação, pesquisa, ciência, investimento e quem acaba sendo penalizado”, detalhou.

A reforma da renda
Gabriel Magno clamou pelo segundo estágio da reforma tributária, que definiu como a reforma da renda. “Precisamos migrar de um sistema ainda hoje muito regressivo para um sistema mais progressivo, incluindo os super-ricos no Imposto de Renda. Precisamos pensar a taxação e tributação de quem hoje está fora do sistema tributário brasileiro, inclusive os que criam graves prejuízos sociais para o Distrito Federal, como bets, fintecs e os bancos que não contribuem”, cobrou.
A deputada federal Erika Kokay reforçou. “A política tributária expressa o projeto que se tem para o país. Se é regressiva, vai perpetuar uma série de desigualdades. Portanto, é importante discutir uma política tributária que nos garanta oportunidades mais iguais, pautada em saúde, solidariedade e sustentabilidade”, concluiu.

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