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CLDF celebra 11 anos da Ocupação Mercado Sul Vive com homenagem à resistência cultural
Publicado em
13 de maio de 2026por
Eugenio Piedade
CLDF celebra 11 anos da Ocupação Mercado Sul Vive com homenagem à resistência cultural
Comunidade, artistas e autoridades enaltecem o espaço como referência de cultura e moradia no Distrito Federal
A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realizou, na noite desta terça-feira (12), uma sessão solene para celebrar o 11º aniversário da Ocupação Cultural Mercado Sul Vive. A iniciativa, proposta pelo deputado Max Maciel (PSOL), reuniu parlamentares, gestores públicos e comunidade artística para exaltar a trajetória da ocupação cultural em Taguatinga que transformou um espaço abandonado em um território coletivo de arte, moradia e resistência urbana.
Max Maciel destacou que acompanha o movimento desde o início, quando ainda era produtor cultural em Ceilândia. O parlamentar enfatizou que a ocupação é um processo de direito à cidade e de ressignificação de territórios historicamente negados às populações periféricas.
“A luta do Mercado Sul é olhar para um espaço que sempre foi visado pela especulação imobiliária e mostrar que ele tem o potencial de registrar as memórias de toda a cultura da cidade”, afirmou o distrital. Para ele, o movimento prova que é possível construir uma cidade que priorize o bem viver, a cultura e a moradia.
Homenagens e ancestralidade
A sessão foi marcada por apresentações culturais de artistas como Mavi Afroindie, Micaele Laloba, Ramona Jucá, Garnet Onijá e Mestra Martinha do Coco. A ancestralidade do território foi um ponto central. O conselheiro do Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural do DF (Condepac) Paique Santarém explicou que o Mercado Sul possui camadas históricas que remontam há milênios, passando pela construção de Taguatinga até a consolidação da ocupação cultural atual. “A ocupação é uma ferramenta da comunidade que está lá para fazer com que essa presença ancestral se mantenha”, declarou.
O subsecretário de Patrimônio Cultural do DF, Felipe Ramon, informou que haverá uma votação no Condepac para debater a inclusão do espaço como patrimônio cultural do DF. Ele ressaltou que a cultura foi o ativo fundamental para a regeneração urbana do local, transformando o que antes era chamado de “beco da morte” em um polo de vida e arte.

O deputado Fábio Félix (PSOL) também saudou a ocupação, classificando-a como uma ferramenta de enfrentamento à desigualdade social no DF. Ele destacou a importância do Mercado Sul em tensionar o poder público para garantir direitos a grupos “minorizados”, como mulheres negras, a comunidade LGBT+ e povos indígenas.
“O Mercado Sul é um exemplo para esta cidade. Com 11 anos de ocupação e resistência denunciando a desigualdade e uma série de questões que são muito importantes, especialmente a falta de moradia e acesso à cultura”, afirmou o distrital.
O ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) Leandro Grass definiu a ocupação como uma “síntese do Brasil” e um exemplo de como transformar territórios em decadência em “sementes de vida”. Grass defendeu que o conceito de território de ocupação cultural deve ser expandido para além de iniciativas isoladas, tornando-se uma política de Estado em todo o Distrito Federal que integre cultura, moradia e economia solidária.
Vozes da comunidade
Moradores e frequentadores do espaço trouxeram depoimentos sobre a importância da ocupação para a moradia. Elisângela Ferreira, moradora do Mercado Sul, defendeu o direito social à habitação para artistas, destacando que o local funciona como uma “incubadora cultural”. Já a artista Ramona Jucá lembrou que a ocupação devolveu vida ao espaço.
A promotora cultural Nara Oliveira define o Mercado Sul como uma “usina de sonhos” e um “território mãe”, onde aprendeu que a realização de projetos é possível por meio da coletividade.
Representando a Casa de Onijá, a multiartista Garnet classifica a ocupação como um território de acolhimento constante para quem chega, fica ou retorna. Ela também defendeu o profissionalismo e a organização da classe artística, combatendo o estigma de desvalorização que muitas vezes recai sobre o setor, e reafirmou o compromisso do movimento com o legado para as próximas gerações. “Aquele lugar sempre vai estar ali para receber quem está passando, quem quer ficar, quem quer sair também e pode voltar em algum momento“, afirmou.

A deputada federal Erika Kokay (PT-DF) definiu o Mercado Sul como um “aquilombamento” e um território de “encantaria”, destacando que o espaço vai além da resistência, sendo um centro de produção de conhecimento e resgate da ancestralidade. Kokay criticou a lógica de entrega da cidade à especulação imobiliária, defendendo que o território deve servir para gerar “trincheiras de vida” e ser um contraponto à solidão e à fragmentação urbana. Ao exaltar a força da construção coletiva e a permanência do movimento, a parlamentar afirmou: “O Mercado Sul vive e viverá sempre porque representa os aquilombamentos que a gente é capaz de produzir“.
No final do evento, foram entregues moções de louvor a diversos coletivos e personalidades que construíram a história da ocupação ao longo da última década. A íntegra da solenidade está disponível no YouTube da CLDF.

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