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3º dia do seminário “Mãe, deixa eu cuidar de você” debate carreira e apoio a mães atípicas

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3º dia do seminário “Mãe, deixa eu cuidar de você” debate carreira e apoio a mães atípicas

Debate reuniu especialistas que abordaram desafios profissionais, sobrecarga emocional, redes de apoio e ressignificação da maternidade de mulheres com filhos neurodivergentes

No último dia do seminário “Mãe, deixa eu cuidar de você”, na manhã desta sexta-feira (15), a Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) recebeu especialistas que debateram os desafios da carreira profissional, a necessidade de fortalecimento da rede de apoio e os cuidados com a autoestima de mães atípicas. O evento é uma iniciativa do deputado Eduardo Pedrosa (União Brasil), que preside frentes parlamentares em defesa de pessoas com autismo, síndrome de Down e doenças raras.

No primeiro painel, “Transformando desafios em novos significados”, debatedores abordaram os desafios da carreira, as escolhas na maternidade e a construção de futuros possíveis para mães e famílias com atípicas. A presidente do Conselho da Pessoa com Deficiência, Ana Paula Batista, destacou que espaços de escuta como o seminário são “ferramentas essenciais para o fortalecimento das mães atípicas cuidadoras”.

O painel também discutiu a necessidade de dar visibilidade às mulheres que precisam reconstruir suas trajetórias pessoais e profissionais a partir da maternidade atípica. A advogada Larissa Argenta argumentou que muitas mães se veem diante de escolhas difíceis, interrupções de carreira, mudanças de rotina e desafios emocionais profundos ao descobrirem a maternidade atípica. Mas esse momento também pode ser, em sua avaliação, uma fase de ressignificação.

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“Ao se descobrirem mães atípicas, muitas descobrem também novas formas de existir, de trabalhar, de lutar e de construir futuros possíveis para si mesmas e para os filhos”, avaliou.

A fisioterapeuta Lidianne Bezerra falou sobre cuidado, empatia e gestão emocional das famílias. Ela afirmou que é possível oferecer qualidade de vida e terapias eficazes para garantir uma vida feliz à criança diagnosticada com alguma neurodivergência. “O diagnóstico não é uma sentença. Os nossos filhos não são o diagnóstico”, defendeu.

A escritora Aline Campos explicou que a chave para lidar melhor com a atipicidade está na busca por conhecimento. Para ela, ao compreender melhor os processos que envolvem cada neurodivergência, mães e familiares conseguem identificar padrões comportamentais das crianças. “É preciso entender e nomear os comportamentos. A maternidade atípica me salvou no sentido de que consegui descobrir qual era o meu propósito de vida”, declarou.

Redes de apoio

O segundo painel da manhã teve como tema “Luz nas incertezas: encontrando equilíbrio e transformando desafios em novos significados”. O debate focou no fortalecimento das redes de afeto para a saúde mental de quem se dedica ao cuidado.

Para a enfermeira Roberta Raiane Coutinho, o diálogo sobre saúde mental no contexto da maternidade atípica envolve “sobrecarga emocional, medo, culpa, isolamento, resistência e reconstrução”. Ela pontua que iniciativas como o seminário ajudam a ampliar o olhar humano e sensível sobre as emoções de quem cuida, reforçando a importância das redes afetivas e de políticas de acolhimento.

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No mesmo sentido, a psicopedagoga Cláudia Victória destacou a necessidade de uma atenção mais humana para cuidadores. “Muitas mães, pais e cuidadores passam anos sustentando rotinas intensas, acompanhamentos terapêuticos, crises, desregulações emocionais e responsabilidades contínuas, muitas vezes sem espaços de fala sobre a própria dor”, afirmou.

A psicóloga Fernanda Falcomer ressaltou que a solidão é um dos principais sentimentos enfrentados por mães atípicas. Segundo ela, a rede de apoio tem papel fundamental para evitar o agravamento desse quadro.

“Precisamos romper a barreira da solidão das famílias. As políticas públicas são fundamentais, mas sozinhas não dão conta da complexidade enfrentada após um diagnóstico de autismo. É preciso fortalecer outras frentes, como a rede de apoio”, afirmou.

Para encerrar a manhã do terceiro dia de debates, o seminário apresentou o painel “Corpo, desejo e identidade”, no qual especialistas discutiram autoestima, sexualidade e reconexão com o corpo na jornada da mulher cuidadora.

O seminário encerra o ciclo de debates na tarde desta sexta-feira com o painel “A voz dos pais: paternidade ativa versus paternidade auxiliar”. O evento é transmitido ao vivo pelo canal da CLDF no YouTube, acompanhe:

 

 



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