Política
Economias sob contraste: o desempenho do Brasil nos governos Bolsonaro e Lula
Publicado em
9 de janeiro de 2026por
Eugenio Piedade
A economia brasileira atravessou dois ciclos políticos distintos entre 2019 e 2025, sob os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Embora ambos tenham enfrentado choques externos relevantes — como a pandemia de covid-19, a guerra na Ucrânia e o aperto monetário global —, as estratégias adotadas, os resultados macroeconômicos e a relação com investidores seguiram caminhos diferentes.
A comparação revela semelhanças pontuais, avanços conjunturais e fragilidades estruturais que permaneceram independentemente da orientação política.
Crescimento econômico: choques externos moldam os resultados
O governo Jair Bolsonaro (2019–2022) teve seu desempenho econômico profundamente impactado pela pandemia. Após crescimento modesto em 2019, o PIB sofreu forte retração em 2020. A recuperação em 2021 ocorreu de forma parcial e desigual, impulsionada pelo consumo reprimido e estímulos fiscais emergenciais, mas perdeu força em 2022, diante da inflação elevada e da alta dos juros.
Já no governo Lula (2023–2025), a economia apresentou crescimento acima das expectativas iniciais nos dois primeiros anos, beneficiada por uma forte safra agrícola, retomada do consumo e maior previsibilidade institucional. Em 2025, no entanto, houve desaceleração moderada, acompanhando o cenário global mais restritivo, embora o país tenha evitado recessão.
Síntese: Bolsonaro enfrentou forte volatilidade e queda abrupta da atividade; Lula operou em ambiente mais estável, com crescimento moderado, porém limitado.
Inflação e política monetária: ciclos distintos
Durante o governo Bolsonaro, a inflação atingiu patamares elevados, especialmente entre 2021 e 2022, pressionada pelo aumento dos combustíveis, desorganização das cadeias globais e estímulos fiscais. A resposta veio com um ciclo agressivo de alta da taxa Selic, que chegou a níveis elevados e reduziu a inflação no curto prazo, mas com impacto negativo sobre o crescimento.
No governo Lula, a inflação permaneceu sob controle relativo, permitindo o início de um ciclo gradual de redução dos juros. A política monetária manteve-se cautelosa, em meio a preocupações fiscais e à necessidade de preservar a credibilidade do Banco Central.
Síntese: Bolsonaro enfrentou inflação alta e juros elevados; Lula herdou juros altos, mas operou em ambiente inflacionário mais controlado.
Mercado de trabalho e renda
No governo Bolsonaro, o mercado de trabalho sofreu forte deterioração durante a pandemia, com aumento do desemprego e informalidade. A recuperação posterior ocorreu de forma gradual, com perda de poder de compra devido à inflação elevada.
No governo Lula, o mercado de trabalho apresentou melhora consistente, com desemprego em níveis historicamente baixos e recuperação da renda real. A política de valorização do salário mínimo e programas sociais ajudaram a sustentar o consumo interno.
Síntese: Bolsonaro lidou com choque severo no emprego; Lula colheu recuperação mais ampla, ainda que com desafios de produtividade.
Investimentos e fluxo de capitais
Um dos pontos centrais de contraste está no comportamento do capital estrangeiro. Durante o governo Bolsonaro, o Brasil registrou queda significativa no Investimento Estrangeiro Direto (IED) em vários momentos, afetado por incertezas ambientais, ruídos institucionais e percepção de isolamento internacional, apesar de avanços em privatizações e concessões.
No governo Lula, o país voltou a atrair volumes relevantes de IED, especialmente em energia, infraestrutura e transição verde. Em contrapartida, 2025 foi marcado por forte saída de capital financeiro de curto prazo, com retirada líquida de cerca de US$ 33 bilhões, refletindo preocupações fiscais e o cenário global de juros altos.
Síntese: Bolsonaro teve maior dificuldade em atrair investimento produtivo; Lula atraiu IED, mas perdeu capital financeiro.
Política fiscal: fragilidades persistentes
A política fiscal foi um ponto sensível em ambos os governos. Bolsonaro iniciou o mandato com discurso liberal, mas ampliou gastos durante a pandemia, enfraquecendo o teto de gastos e elevando a dívida pública.
Lula substituiu o teto por um novo arcabouço fiscal, buscando maior flexibilidade. No entanto, a dificuldade em cumprir metas e conter despesas manteve dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida e afetou a confiança do mercado.
Síntese: Bolsonaro rompeu o teto em caráter emergencial; Lula enfrenta desafios estruturais para consolidar o ajuste fiscal.
Inserção internacional e comércio
O governo Bolsonaro adotou postura mais alinhada ideologicamente e enfrentou desgaste ambiental e diplomático, o que dificultou avanços comerciais relevantes. O acordo Mercosul–União Europeia permaneceu travado.
No governo Lula, a diplomacia econômica foi reativada. O Brasil retomou protagonismo internacional, reabriu canais com a União Europeia e avançou no acordo Mercosul–UE, visto como potencial catalisador de investimentos e comércio.
Síntese: Bolsonaro teve relações externas mais tensas; Lula ampliou diálogo e integração internacional.
Conclusão
A comparação entre os governos Bolsonaro e Lula mostra que nenhum dos dois entregou uma transformação estrutural profunda da economia brasileira. Bolsonaro enfrentou choques inéditos, adotou políticas emergenciais e preservou estabilidade em meio à crise, mas perdeu tração institucional e atratividade internacional. Lula trouxe previsibilidade, crescimento moderado e retomada do investimento produtivo, mas ainda não resolveu o principal entrave histórico do país: o desequilíbrio fiscal.
Em ambos os casos, o Brasil seguiu avançando aquém de seu potencial, condicionado por fatores externos, limitações internas e ausência de reformas estruturais mais profundas.

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