Saúde
Câncer colorretal é o 2º mais frequente no Brasil e acende alerta no Março Azul-Marinho
Publicado em
30 de março de 2026por
Eugenio Piedade
Especialista do HU-UFS reforça rastreamento precoce e mudança de hábitos
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Aracaju (SE) – O Brasil pode registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA). Nesse cenário, o câncer colorretal já ocupa a segunda posição entre os tumores mais frequentes em homens e mulheres, desconsiderando o câncer de pele não melanoma, o que reforça o alerta durante o Março Azul-Marinho, campanha dedicada à conscientização sobre a doença.
O coloproctologista Alex Moura, do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe (HU-UFS/HU Brasil), destaca que o rastreamento precoce é a principal estratégia para reduzir a mortalidade. Segundo ele, a doença costuma ser silenciosa no início, já que, na maioria dos casos, é assintomática ou apresenta sinais discretos. Quando surgem sintomas, é comum que o quadro já esteja em estágio mais avançado.
A recomendação atual é iniciar o rastreamento entre 45 e 50 anos, com tendência de antecipação. O especialista explica que, embora alguns serviços ainda adotem os 50 anos como referência, países como os Estados Unidos já iniciam esse acompanhamento aos 45. No Brasil, essa mudança começa a ser incorporada, principalmente diante do aumento de casos em faixas etárias mais jovens.
A colonoscopia segue como o principal exame, por permitir não apenas o diagnóstico, mas também a remoção de lesões precursoras durante o próprio procedimento. Esse ponto é um ponto importante, porque normalmente leva entre oito e dez anos para a transformação do pólipo para o câncer. “Ao fazer a prevenção, reduzimos a incidência e a mortalidade do câncer colorretal a longo prazo”, esclarece o médico.
Outros métodos, como a retossigmoidoscopia, têm alcance limitado, enquanto a pesquisa de sangue oculto nas fezes pode gerar resultados imprecisos, especialmente quando realizada de forma isolada. “Quando dá negativo, pode gerar a falsa impressão de que esse paciente não tem nada, e isso é perigoso. Quando a gente faz o sangue oculto anualmente, ou a cada dois anos, durante um período longo, aí sim a literatura mostra que aumenta um pouco a sensibilidade e especificidade. Mas fazer de forma esporádica, apesar de ser utilizado bastante hoje, não é o ideal. O ideal é a colonoscopia mesmo, que é o padrão”, alerta Alex Moura.
Mesmo com a dificuldade de identificação precoce, alguns sinais devem ser observados com atenção, principalmente em pessoas acima dos 50 anos. Sangramento nas fezes, alterações no hábito intestinal, dor abdominal, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta estão entre os indícios que, embora inespecíficos, exigem investigação.
A prevenção também está diretamente ligada ao estilo de vida. O médico ressalta que fatores como consumo frequente de carne vermelha, ingestão de alimentos ultraprocessados, tabagismo, álcool e sedentarismo contribuem para o aumento do risco. Por outro lado, uma alimentação rica em fibras, boa hidratação e prática regular de atividade física ajudam a reduzir as chances de desenvolvimento da doença.
Embora a maior incidência ainda esteja concentrada após os 60 anos, há um crescimento consistente de casos entre pessoas mais jovens, inclusive em Sergipe. Esse movimento tem levado à revisão das diretrizes e reforça a necessidade de atenção especial a grupos de risco, como indivíduos com histórico familiar da doença ou com doenças inflamatórias intestinais.
Na rede HU Brasil, o tratamento do câncer colorretal é realizado de forma multidisciplinar. No HU-UFS, os pacientes têm acesso a cirurgia, inclusive por videolaparoscopia, acompanhamento em oncologia clínica e realização de quimioterapia na própria unidade. O modelo integrado permite que todo o percurso terapêutico seja conduzido no mesmo hospital, com suporte de equipes de enfermagem, nutrição e fisioterapia, além da atuação na formação de novos especialistas por meio das residências médicas.
Sinais que não devem ser ignorados O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. A associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. “Em relação aos sintomas propriamente ditos, são bem inespecíficos. Normalmente, a gente tem que ficar muito atento a pacientes com mais de 50 anos de idade, com história de perda de peso, com história de alteração do hábito intestinal, hora diarreia, hora fezes normais. Desconforto abdominal também é outra coisa que a gente tem que prestar bastante atenção. Então, basicamente, sangramento retal, sangramento anal, são sintomas bem inespecíficos, mas que devem ser observados com atenção”, pontua.
Prevenção A prevenção do câncer colorretal está baseada também em prática regular de atividade física e alimentação balanceada. Como é uma doença multifatorial, várias atitudes podem propiciar o seu desenvolvimento, como o tabagismo e o consumo de álcool. “Carne vermelha em grandes quantidades, ou até em moderadas quantidades, é outro fator de risco. Alimentos ultraprocessados, açúcar refinado, tudo isso a gente tem que evitar. Então, é muito importante ter uma dieta mais rica em fibras, beber bastante água, fazer atividades físicas, não fumar e realizar, a partir dos 45 anos para a maioria das pessoas, a colonoscopia, que é o exame padrão ouro para esse diagnóstico”, ressalta.
Aumento na população jovem Para populações com fator de risco maior, como as pessoas que têm doença inflamatória intestinal ou que tiveram parentes de primeiro grau com câncer colorretal em uma idade mais jovem, o cuidado deve ser redobrado. “Se for observado, após uma biópsia, um câncer colorretal, o ideal é que o paciente procure um coloproctologista o quanto antes”, afirma o médico.
A maior incidência desse tipo de câncer é a partir dos 60 anos de idade. Entretanto, a literatura tem mostrado, não só no mundo, como especificamente em Sergipe, que a incidência entre os mais jovens vem crescendo. “A incidência entre os homens mais jovens aqui em Aracaju vem aumentando bastante, por isso que desde 2018, a orientação da literatura é que se comece a fazer esse rastreamento um pouco mais cedo, a partir dos 45 anos de idade. Outra coisa que vem mudando também é o aumento da incidência de câncer colorretal no colo direito, justamente por isso a importância da colonoscopia, que consegue ver o colo todo”, enfatiza.
Ensino Na Rede HU Brasil, o atendimento aos pacientes com câncer colorretal é estruturado de forma multidisciplinar, com definição de condutas baseada nas diretrizes mais atuais em oncologia e coloproctologia. No HU-UFS, por exemplo, existe uma equipe de coloproctologistas e o rastreamento de câncer colorretal é feito via colonoscopia. “Fazemos cirurgia oncológica por videolaparoscopia, e, além disso, estamos comprometidos com a questão do ensino. Os residentes formados pelo HU-UFS saem operando muito bem e com um conhecimento teórico excelente. Temos uma equipe multidisciplinar para tratamento do câncer colorretal. São coloproctologistas, oncologistas, cirurgiões oncológicos, tem o pessoal da enfermagem, da fisioterapia, da nutrição, o que nos ajuda muito”, destaca.
O HU-UFS/HU Brasil disponibiliza um serviço no qual a quimioterapia é realizada no próprio Hospital Universitário. O paciente é atendido, passa por cirurgia, é encaminhado para a Oncologia Clínica, segue para a administração de quimioterápico, e recebe o seu tratamento multidisciplinar.
Sobre a HU Brasil O HU-UFS faz parte da Rede HU Brasil desde 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil. |

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