COLUNISTAS
IA não substitui profissionais, mas pode tirar espaço de quem não souber acompanhá-la
Publicado em
17 de agosto de 2026por
Eugenio Piedade
Presidente da Global Tech, Dhiego Soares aponta cinco erros que podem comprometer a carreira de profissionais diante do avanço da inteligência artificial
A inteligência artificial já faz parte da rotina de empresas de diferentes setores e vem transformando a maneira como tarefas são executadas, decisões são tomadas e os profissionais entregam resultados. Nesse cenário, o risco para a carreira não está necessariamente em ser substituído por uma ferramenta, mas em permanecer preso a modelos de trabalho que não acompanham as novas demandas do mercado.
Para Dhiego Soares, presidente da Global Tech, existem cinco erros que podem fazer um profissional perder espaço com o avanço da IA: ignorar a tecnologia, utilizá-la sem compreender seus resultados, depender excessivamente das ferramentas, deixar de desenvolver habilidades humanas e não acompanhar as mudanças do próprio mercado de trabalho.
“O maior risco não é a inteligência artificial simplesmente ocupar o lugar de um profissional. O verdadeiro problema está em quem não aprende a trabalhar com ela enquanto outros profissionais já estão utilizando a tecnologia para produzir mais, tomar decisões melhores e resolver problemas com maior velocidade”, afirma Soares.
1. Ignorar a inteligência artificial
O primeiro erro é tratar a IA como uma tendência passageira. A tecnologia já está presente em atividades que vão desde atendimento e análise de dados até criação de conteúdo, programação, gestão e processos administrativos.
Para o especialista, o profissional não precisa dominar todas as ferramentas disponíveis, mas deve compreender como elas podem ser aplicadas à sua área.
“Não é necessário que todo profissional se torne especialista em inteligência artificial. Mas é importante entender o que a tecnologia pode fazer, quais são seus limites e como ela pode ser incorporada à rotina. Ignorar essa transformação pode criar uma diferença de produtividade cada vez maior entre profissionais que utilizam IA e aqueles que não utilizam”, explica.
2. Usar IA sem conferir o resultado
Outro erro é acreditar que a inteligência artificial está sempre correta. Embora as ferramentas possam acelerar tarefas e auxiliar na produção de informações, seus resultados precisam ser analisados por seres humanos.
“O profissional que simplesmente copia e cola uma resposta produzida por uma IA está transferindo para a ferramenta uma responsabilidade que continua sendo dele. É preciso conferir informações, identificar erros, avaliar contexto e utilizar conhecimento próprio para validar o resultado”, alerta Soares.
Essa preocupação é especialmente relevante em atividades que envolvem dados, informações técnicas, documentos, comunicação com clientes ou tomada de decisões.
3. Depender da ferramenta para tudo
A facilidade proporcionada pela IA também pode criar uma dependência prejudicial. Utilizar tecnologia para automatizar tarefas repetitivas pode aumentar a produtividade, mas deixar de desenvolver o próprio raciocínio pode comprometer a capacidade profissional no longo prazo.
“A inteligência artificial deve ser uma ferramenta de apoio, e não uma substituta do pensamento crítico. Se o profissional deixa de estudar, de questionar e de desenvolver sua capacidade de análise porque passou a depender da tecnologia, ele pode se tornar mais vulnerável justamente quando precisar tomar uma decisão que a ferramenta não consegue resolver”, afirma.
4. Abandonar as habilidades humanas
Comunicação, criatividade, liderança, capacidade de negociação, empatia e pensamento crítico continuam sendo diferenciais importantes em um mercado cada vez mais automatizado.
Para Dhiego Soares, o profissional que combinar domínio tecnológico com competências humanas tende a se destacar.
“Quanto mais a tecnologia avança, mais valor pode existir nas competências que dependem de contexto, relacionamento e julgamento humano. Saber conversar com uma equipe, negociar com um cliente, liderar pessoas e tomar decisões diante de situações complexas não desaparece porque uma ferramenta de IA se tornou mais eficiente”, destaca.
5. Parar de aprender
O quinto erro é acreditar que aprender a utilizar uma ferramenta hoje será suficiente para os próximos anos. A velocidade de evolução da inteligência artificial exige atualização constante.
“Estamos diante de uma transformação contínua. A ferramenta que é diferencial hoje pode se tornar básica amanhã. Por isso, o profissional precisa desenvolver uma mentalidade de aprendizado permanente. Mais importante do que dominar uma plataforma específica é entender como aprender e se adaptar às novas tecnologias”, ressalta Soares.
Segundo o presidente da Global Tech, a IA deve ser encarada como uma oportunidade de reposicionamento profissional. Em vez de competir diretamente com as máquinas em tarefas automatizáveis, o trabalhador pode utilizar a tecnologia para ampliar sua capacidade de entrega e concentrar esforços em atividades de maior valor.
“O profissional que souber combinar conhecimento da própria área, inteligência artificial e habilidades humanas terá uma vantagem competitiva importante. A questão não é escolher entre pessoas e tecnologia. O futuro do trabalho tende a ser cada vez mais sobre pessoas utilizando tecnologia para fazer melhor aquilo que sabem fazer”, conclui.

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