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Relatório final da CPI do Rio Melchior será entregue no dia 15 de dezembro
Publicado em
30 de outubro de 2025por
Eugenio Piedade
Relatório final da CPI do Rio Melchior será entregue no dia 15 de dezembro
Além do anúncio sobre a data, a comissão informou que, em novembro, vão começar obras para levar água encanada para a Comunidade da Cerâmica, localizada próxima ao rio.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Rio Melchior divulgará seu relatório final no dia 15 de dezembro. O anúncio foi feito pela presidente da CPI, deputada Paula Belmonte (Cidadania), durante a 16ª reunião do colegiado, realizada nesta quinta-feira (30) na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).
“Nós estamos caminhando para a conclusão da CPI. No dia 15 de dezembro, vamos fazer a leitura do relatório”, informou Belmonte. A comissão começou em abril deste ano, com o propósito de investigar e propor soluções para a poluição do Rio Melchior, localizado entre as regiões de Samambaia e Ceilândia.
“Nós vamos apresentar um relatório que vai trazer grandes conhecimentos e projetos ao governo”, disse o relator, deputado Iolando (MDB). “Não teremos a causa específica de atingir o governo. Não é somente o governo o culpado, somos nós, a sociedade, estamos todos envolvidos nesse ciclo. Nós precisamos nos unir para nos ajudarmos, pois essa é uma causa comum de todos nós”, analisou o parlamentar.
“Às vezes, quando se fala em meio ambiente, se lembra de apenas um segmento ideológico. Mas meio ambiente é para todos, é para a sociedade como um todo”, reforçou o deputado Martins Machado (Republicanos).
O Rio Melchior está enquadrado na classe IV, a pior categoria de qualidade das águas, o que impede o uso e o contato humano. Belmonte ressaltou que o rio recebe efluentes da Companhia de Saneamento Ambiental do DF (Caesb), do Serviço de Limpeza Urbana do DF (SLU), de abatedouros e de poluição difusa.
A comissão almeja que o rio seja classificado em níveis menores de poluição. O deputado Gabriel Magno (PT) ressaltou que a conclusão da CPI irá formalizar “a necessidade urgente da mudança do enquadramento do rio”. Ele considera que, atualmente, o rio “está condenado à morte ao ser decretado classe IV”.
Resultados
A deputada Paula Belmonte destacou que a CPI já trouxe resultados para a população, com a instalação e abastecimento constante de uma caixa d’água na Comunidade da Cerâmica, localizada próxima ao rio. “E agora no mês de novembro a Caesb vai começar a fazer obras para levar água encanada até as casas das pessoas”, anunciou Belmonte.
A deputada lembrou que a principal motivação para instauração da CPI foi proteger a saúde da população ribeirinha, que sofre com a falta de infraestrutura de água e esgoto.
“A Comunidade da Cerâmica é de produtores familiares que vivem há mais de 50 anos no local. Ali, as crianças estavam tendo erupções na pele e as senhoras apresentando queda de cabelo. Há uma questão de saúde pública no lençol freático”, apontou a parlamentar.
Os deputados também ressaltaram a contribuição da CPI para impedir a instalação de uma termelétrica no Distrito Federal, que iria utilizar as águas do Rio Melchior para resfriamento de caldeiras, bem como realizar o despejo de efluentes. A CPI realizou oitivas públicas com especialistas que abordaram o tema.
“Nós mostramos a preocupação que existia com a instalação da termelétrica, por conta da questão ambiental e também pela necessidade de demolição de uma escola que atende quase 500 crianças”, contou Belmonte. O deputado Gabriel Magno endossou a avaliação: “Essa CPI foi capaz de desvendar, no caso da termelétrica, um negócio bilionário que não atendia as necessidades da população”.
“Nós já temos grandes entregas e queremos continuar entregando muito”, comprometeu-se a presidente do colegiado. “Essa CPI vem fazendo história. É a quarta CPI do Brasil sobre meio ambiente e a primeira CPI de Brasília sobre meio ambiente”, ressaltou Paula Belmonte.
Experiência de São Paulo
A presidente resumiu a trajetória da investigação, destacando a visita ao maior aterro sanitário da América Latina, realizada em São Paulo na semana passada.
“Eles fazem a manipulação de 10 mil toneladas por dia. Aqui no aterro de Brasília o volume é de 2,5 mil toneladas, um quarto do tamanho de lá”, comparou Belmonte. “Foi muito importante para conhecermos as tecnologias e pensarmos em como transformar o aterro sanitário em um ativo”, avaliou a deputada.
Ainda em São Paulo, a comissão esteve presente na Feira Nacional do Saneamento Ambiental — evento que abordou temas como gestão dos resíduos sólidos, reciclagem, limpeza pública, saneamento urbano e geração de energia sustentável — e visitou uma estação de tratamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).
“Na Sabesp, eles conseguem tratar a água de esgoto até se tornar água potável, se quiserem. Hoje eles estão fazendo água industrial que utilizam para abastecer o polo industrial de Mauá”, relatou Belmonte. “Essa é a oportunidade de trazermos o que há de melhor para o Distrito Federal. O nosso objetivo é trazer proposições que possam beneficiar a nossa sociedade”, afirmou a deputada.
Experiência do Rio de Janeiro
Na semana passada, a comissão também conheceu um aterro sanitário no Rio de Janeiro. Desse estado, o deputado Iolando destacou o uso “fenomenal” do gás metano proveniente do chorume, produzindo energia.
“Nós vimos no Rio de Janeiro o aproveitamento de 100% do gás metano que seria lançado na atmosfera. Lá tem uma empresa que compra o gás e o utiliza em outras possibilidades, como o GNV [Gás Natural Veicular]. Eles podem abastecer mais de 500 mil veículos com esse gás de metano”, ressaltou o parlamentar.
“Aqui em Brasília, o gás metano é queimado, aumentando a liberação de dióxido de carbono. Tudo isso é poluente e gera alterações climáticas”, lamentou Iolando. “Nós estamos queimando dinheiro”, definiu Belmonte.
Na reunião desta quinta-feira, a CPI realizou oitivas com representantes do SLU. Clique aqui para acessar todas as notícias da Agência CLDF acerca da CPI e revisitar a trajetória da investigação.

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