POLÍTICA DO BRASIL
Joesley se reaproxima de Lula, que ele delatou, e irá na comitiva à China
Publicado em
18 de março de 2023por
Eugenio Piedade
Empresário Joesley Batista. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Grupo dos irmãos Batista foi dos mais beneficiados pela gestão bolsonarista
Os controladores da holding J&F não poupam esforços para se aproximar de quem está no poder: após desfrutar do governo de Jair Bolsonaro (PL), eles agora tentam se aproximar do atual presidente Lula (PT), delatado na Lava Jato por Joesley Batista, que inclusive garantiu seu lugar na comitiva do chefe de governo brasileiro à China.
A reaproximação surpreende porque os irmãos Batista representam tudo aquilo que a atual gestão de Lula recrimina. O PT voltou ao poder com uma forte pauta sócio-ambiental, que inclui especialmente iniciativas de maior proteção da Amazônia e valorização dos direitos do trabalhador. São dois temas que Joesley e Wesley parecem desprezar.
Dias atrás, a empresa de carnes dos irmãos Batista, a JBS, foi envolvida numa investigação de trabalho infantil. O Departamento do Trabalho dos Estados Unidos revelou pelo menos 31 crianças trabalhando em fábricas da JBS em Nebraska e Minnesota. Segundos os investigadores, elas trabalhavam à noite e apresentavam queimaduras nas mãos.
Na época mais crítica da pandemia do Covid, a JBS também foi acusada de uma série de violações trabalhistas, dentre as quais a disseminação do vírus entre trabalhadores de suas fábricas, por negligenciar os protocolos de segurança de seus empregados.
Desmatamento na Amazônia
Com relação à preservação da Amazônia, a empresa também está longe de ter uma boa reputação. Uma investigação do Repórter Brasil e Greenpeace revelou que a JBS comprou, entre 2018 e 2022, aproximadamente 9 mil cabeças de gado de fazendas que desmataram a Amazônia e que pertencem a Chaules Volban Pozzebon, preso por extração ilegal de madeira e considerado o maior desmatador do país, além de ter sido condenado por trabalho escravo.
As más condutas de gestão não chegaram a ser um problema nas tentativas dos irmãos Batista para se entranhar no governo Bolsonaro. Para tentar se aproximar do ex-presidente, os Batista apostaram em várias alternativas. A principal delas foi o estreitamento da relação com o advogado de confiança do clã Bolsonaro, Frederick Wassef, a quem pagaram R$9 milhões nos últimos anos, segundo informações do Coaf.
Wassef se aventurou a intervir a favor dos Batista junto ao procurador geral da República Augusto Aras para discutir a anulação do acordo de delação premiada de executivos da JBS. Mas não foi recebido pelo Procurador Geral e não conseguiu avançar nas negociações.
Setenta e cinco reuniões
Os Batista também tentaram chamar a atenção de Jair Bolsonaro contratando amigos e interlocutores de seus filhos e conquistaram algumas vantagens junto a alguns servidores da administração bolsonarista com contratos milionários e maior acessibilidade em alguns ministérios.
Entre 2019 e 2022, lobistas e executivos da JBS se reuniram 75 vezes com representantes do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). A empresa dos irmãos Batista foi a segunda do agronegócio com mais encontros marcados com autoridades do poder executivo no governo Bolsonaro, ficando atrás apenas da Syngenta.
As informações fazem parte do dossiê “Os Financiadores da Boiada: como as multinacionais do agronegócio sustentam a bancada ruralista e patrocinam o desmonte socioambiental”, divulgado pelo observatório ‘De Olho nos Ruralistas’.
O levantamento revela que a JBS é uma das principais financiadoras do Instituto Pensar Agro (IPA), que elabora ‘propostas legislativas’, como a autofiscalização sanitária e a flexibilização de fiscalização ambiental. Nos diversos encontros que manteve com o Ministério da Agricultura no governo Bolsonaro, a JBS tratou de um incidente de vazamento de amônia ocorrido em fevereiro de 2021 em uma unidade do frigorífico em Roraima.
Contratos milionários na Defesa
A relação com os servidores da administração bolsonarista também rendeu alguns contratos gordos com o governo antigo. Somente nos primeiros dois anos após a posse de Jair Bolsonaro, foram pelo menos 30 negócios fechados entre a JBS e o Ministério da Defesa. A gigante do setor de alimentos recebeu nada menos que R$ 47 milhões para fornecer carne aos militares. O cardápio incluía peças como maminha, picanha e filé mignon.
A JBS conseguiu driblar as críticas do ex-presidente e ser apresentada por servidores públicos na Conferência do Clima das Nações Unidas de Glasgow, a COP26, como um “caso de sucesso” na descarbonização no setor de proteína animal.
O painel, no pavilhão brasileiro do evento, teve participação conjunta do secretário adjunto de Clima e Relações Internacionais do Brasil, Marcelo Freire, do presidente da Embrapa, Celso Moretti, e do CEO Global da JBS, Gilberto Tomazoni. A propaganda a favor da JBS, porém, foi amplamente questionada por ambientalistas, já que a empresa aparecia no topo do ranking dos frigoríficos que mantêm relações com fornecedores ligados ao desmatamento da Amazônia.
Velho caminho: advogado de presidente
Com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva ao poder, Joesley e Wesley repetem a fórmula da contratação do advogado do chefe do Executivo.
Um pouco antes dos resultados das eleições, quando todas as pesquisas indicavam a derrota de Bolsonaro, os Batista contrataram Cristiano Zanin, advogado de confiança de Lula e candidato à próxima vaga do STF.
Entre outras coisas, Zanin foi contratado para tentar reduzir a multa da leniência da J&F de R$ 10,3 bilhões para R$ 1,3 bilhão. Até agora não teve êxito. Recentemente, o STJ negou o pedido da holding para suspender a ação revisional da multa, que permitia que a J&F não precisasse pagar as parcelas devidas.
Com todas as dificuldades econômicas e sociais pelas quais passa o país atualmente, e que Lula terá de enfrentar nos próximos anos, não seria nada mal se os Batista – que têm recebido gordos dividendos da JBS que lucra bilhões todos os anos – se dispusessem a ressarcir os cofres públicos após confessarem em delação os atos de corrupção que cometeram.
Também seria bastante bem-vindo se realizassem o investimento de R$2,3 bilhões em projetos sociais, conforme prevê o acordo de leniência. Em vez de recorrer a artimanhas e à contratação de advogados de presidentes, mais efetivo ainda seria, nesses novos tempos, adotar uma gestão mais respeitosa com seus empregados e com meio ambiente. Afinal, o governo Lula aposta na redução do desmatamento da Amazônia para recuperar a credibilidade internacional do país. E a tarefa ficará bem mais difícil se a brasileira JBS, a maior empresa de alimentos do mundo, continuar contribuindo para o desflorestamento da região.
Fonte: Diário do Poder

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